18/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Advogado do interior Amazônico (VIII) – Dificuldades antes da Internet e da era digital

Publicado em 23 de setembro, 2020

Paulo Teixeira*

Senti-me honrado pela leitura de minhas primeiras crônicas pelo ilustre colega Dr. Oldeney Sá Valente. Comparando nossa situação de antigamente com os avanços tecnológicos desfrutados hoje, apresentou-me as seguintes e pertinentes considerações: “… Como nós estudávamos! As pesquisas de jurisprudência levavam dias seguidos e, às vezes, sem o resultado esperado. Hoje, as novas gerações têm tudo à mão, fornecido pela Internet. Mas, ainda reclamam. Não sabem o que era ter de refazer todo um trabalho perdido, em virtude de um erro de ‘datilografia’ praticado na máquina de escrever.”

Sobejam razões às colocações do Mestre Oldeney. Há meio século, quando comecei a advogar, tudo era mais difícil, mais demorado e, incomparavelmente, mais dispendioso. O uso do computador superou com infinitas vantagens a velha máquina de escrever. Aquela que, como grande parte dos jovens parintinenses, nos primeiros anos da adolescência, aprendi a manejar com a professora Domingas Alaggio. A semelhança entre os dois fica apenas no teclado, no mais, seria como comparar um automóvel com uma carroça! O computador dispensa rascunhos e minutas e o recurso do delete permite que se corrija um erro em qualquer ponto do trabalho, sem que se perca ou tenha de repetir o texto todo.

Quanto à jurisprudência, só tínhamos acesso a ela na leitura dos acórdãos, muito tempo após a prolação. Isso, quando publicados nas revistas dos tribunais, inclusive na Revista Trimestral de Jurisprudência do STF ou transcritos em obras doutrinárias, com anos de atraso. Com a Internet, como lembrou Oldeney, dispomos dos textos das decisões quase instantaneamente. Como se costuma dizer, “na palma da mão”. Graças aos celulares smartfones.

Por meio da Internet foi possível implantar-se o peticionamento eletrônico e o processo virtual. Antigamente, viajava-se para ingressar em um juízo, dar entrada em um recurso nos tribunais estaduais, no STJ ou STF em Brasília. Hoje, tudo isso é feito virtualmente com grande economia de tempo e de dinheiro! Lembro que várias vezes fui a Brasília com despesas de passagens de avião de ida e volta, hospedagem, alimentação e táxi.

Quanto à legislação, os jornais nunca divulgavam o inteiro teor da lei, decreto, ou outra norma, que só encontrávamos no diário oficial. Atualmente, com a Internet e o manejo do smartfone temos acesso a qualquer texto legal, na palma da mão, em poucos segundos.

 

Experiências anteriores à estada em Parintins

Como relatei, na primeira das minhas crônicas, quando cheguei a Parintins, em 1971, eu já praticava a advocacia desde 1968, primeiramente como solicitador acadêmico e, posteriormente, como advogado devidamente inscrito na OAB. Nesse período, advoguei nos municípios de Santa Isabel do Pará, Nova Timboteua, Capanema e Bragança.

Lembro de uma reclamação trabalhista em que defendi o reclamado em Capanema. Surpreendi-me ao ver em audiência que o advogado da parte reclamante era o ex-governador do Pará Aurélio do Carmo. Durante seu governo foi duramente acusado de práticas desonestas. Diziam que  enriquecera no poder; que se tornara dono de várias fazendas, com milhares de cabeças de gado, no Marajó. Se isso fosse verdade, eu não o teria visto advogando no interior.

Vários anos depois assisti, aqui em Manaus, advogando em uma Junta de Conciliação e Julgamento da Justiça do Trabalho, o ex-governador do Amazonas Plínio Coelho. Ele também não saiu rico do governo. Do mesmo modo, não há nenhum registro de que governadores amazonenses do passado tenham enriquecido no poder.

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Autor
Paulo Teixeira

* Paulo Lobato Teixeira é advogado e procurador do Estado aposentado.

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