
Insegurança moderada e grave indicam que houve privação quantitativa de alimentos, e que a fome esteve presente. Foto: Clóvis Miranda/DPE-AM
No Amazonas, 37% dos moradores em domicílios estavam com Insegurança Alimentar grave ou moderada, em 2017-2018, ou seja, conviviam com a fome. Insegurança moderada e grave indicam que houve privação quantitativa de alimentos, e que a fome esteve presente. Os dados são da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2017-2018, sobre Segurança Alimentar, divulgada nesta quinta-feira (17/9), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE).
Conforme a instituição, 2 milhões e 765 mil, ou 71% dos moradores em domicílios particulares permanentes do Estado estavam em algum grau de Insegurança Alimentar. Destes, 37% estavam em Insegurança Alimentar moderada (819 mil) e Insegurança Alimentar grave (622 mil).
No total, 665 mil domicílios do Amazonas apresentavam Insegurança Alimentar, sendo que 322 mil com Insegurança leve; 199 mil, Insegurança moderada e 144 mil domicílios apresentavam Insegurança Alimentar grave.
De acordo com o IBGE, a Pesquisa de Orçamentos Familiares 2017-2018 disponibiliza, pela primeira vez em seu conjunto de resultados, a avaliação dos domicílios brasileiros estabelecida segundo os critérios da Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (EBIA). “Cabe ressaltar que esta é a quarta série de resultados disponibilizados sobre este tema, sendo as três anteriores apresentas através dos Suplementos sobre Segurança Alimentar e Nutricional – SAN que fizeram parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD em 2004, 2009 e 2013”, informou o IBGE.
Nesta publicação, os resultados apresentados nas PNADs discutiram a classificação dos domicílios particulares brasileiros segundo quatro graus: segurança alimentar (SA), insegurança alimentar leve (IA leve), insegurança alimentar moderada (IA moderada) e insegurança alimentar grave (IA grave).
Do total de 1 milhão e 14 mil domicílios particulares permanentes estimados pela POF 2017-2018, no Amazonas, 34,5% ou 349 mil estavam em situação de Segurança Alimentar, enquanto 65,5% ou 665 mil domicílios particulares restantes estavam com algum grau de Insegurança Alimentar.
Dentre esses, a proporção de domicílios em IA leve foi de 48,4% (322 mil domicílios), e 30,0% (199 mil) dos domicílios particulares estavam em IA moderada, e 21,6% (144 mil) em IA grave.
Conforme o IBGE, tanto a situação moderada quanto a grave, colocaram o Amazonas na segunda pior posição do país.
Considerando o nível de IA grave como a forma mais severa de baixo acesso domiciliar aos alimentos, é possível afirmar, com base nos resultados da POF 2017-2018, que cerca de 144 mil domicílios no Amazonas passaram por privação quantitativa de alimentos, que atingiram não apenas os membros adultos da família, mas também suas crianças e adolescentes.
Houve, portanto, ruptura nos padrões de alimentação nesses domicílios e a fome esteve presente entre eles, pelo menos, em alguns momentos do período de referência de três meses.
Quanto ao número de moradores do Amazonas em situação de Segurança ou Insegurança Alimentar, a POF 2017-2018 revela que, dos 3 milhões e 893 mil moradores estimados no Estado, 1 milhão e 128 mil deles, ou 29,0%, estavam em Segurança Alimentar; e 2 milhões e 765 mil, ou 71%, em situação de Insegurança Alimentar, sendo 1 milhão e 325 mil, em IA leve, 819 mil em IA moderada, e 622 mil em IA grave. Ou seja, 622.000 pessoas em todo estado passaram por privações quantitativa de alimentos, havendo assim, ruptura nos padrões de alimentação dessas pessoas.
Numa comparação com os percentuais do Brasil, pode-se afirmar que os percentuais do Amazonas eram mais altos no que diz respeito à Insegurança Alimentar. Enquanto a proporção nacional foi de 36,7%; no Amazonas, a proporção foi de 65,5%, ou seja, 28,8 p.p. mais alta. Dessa forma, a Insegurança Alimentar no Brasil atingia 36,7% e, no Amazonas, atingia 65,5%, ou seja mais de 6 a cada 10 domicílios.
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