
Braga fecha com Amazonino, depois de várias idas e vindas dos dois na política estadual
O Movimento Democrático Brasileiro (MDB), do senador Eduardo Braga, vai marchar com Amazonino Mendes. A decisão está tomada. Ontem (12/09), Braga fez a convenção municipal de Manaus, para proporcionais, os vereadores. O anúncio oficial do apoio majoritário, com pompa e circunstância, deve ocorrer somente na quarta-feira, último prazo legal.
Braga e Amazonino têm, em política, uma relação parecida com a da canção brega, definida como “entre tapas e beijos”. Veja, abaixo, eleição por eleição, como os dois se relacionaram:
1983 – Amazonino é indicado prefeito de Manaus (sem eleição), pelo governador Gilberto Mestrinho. Braga, então vereador pelo PDS, sucessor da Arena, vira o opositor mais duro dele. Convidado, como representante da Câmara Municipal, durante audiência do prefeito na Assembleia Legislativa, o hoje senador enquadra o Negão. Depois do discurso duro, os dois conversam e viram aliados.
1990 – Braga integra o grupo de Amazonino e vira deputado federal.
1992 – Amazonino, já senador, escolhe Braga, depois de briga acirrada em seu grupo político (que ele chama de “escola”), como candidato a vice. Ganha. Depois de dois anos se licencia e entrega a prefeitura para o escolhido.
1994 – Amazonino, enfrentando o “adversário ideal”, radialista Nonato Oliveira, sem recursos, ganha fácil. Mas Braga, que herdou a Prefeitura, fica fora da chapa e o vice é Alfredo Nascimento.
1996 – A “escola política do Amazonino” apoia Alfredo Nascimento para a sucessão de Eduardo Braga. Ele ganha, por 2,5 mil votos, de Serafim Corrêa.
1998 – Braga se rebela e enfrenta o ex-chefe, na briga pelo Governo do Amazonas. E perde.
2000 – Braga, como oposição a Amazonino, enfrenta Alfredo Nascimento. Perde. Mas marca a eleição por revelar que o ex-companheiro, agora desafeto, levava “tucumã e tapioca” para Amazonino.
2002 – Amazonino indica Braga para sucedê-lo, depois de hesitar e chegar a pensar no maior inimigo, o então deputado federal Arthur Virgílio Neto. Braga ganha. Vira governador.
2004 – Amazonino se elege, novamente, prefeito de Manaus. Sem o apoio de Braga.
2006 – Braga é candidato à reeleição no Governo do Estado. O adversário? Amazonino Mendes. Braga ganha. Apertado, mas ganha.
2010 – Braga indica seu vice, Omar Aziz, para enfrentar Alfredo Nascimento. Omar ganha. O objetivo da campanha do governador, que renuncia e se elege senador, facilmente, é eliminar o senador Arthur Virgílio. A meta é compartilhada pelo presidente Lula. Arthur é derrotado por Vanessa Grazziotin (PCdoB) para o Senado.
2012 – Braga, empolgado com a vitória de 2010, indica novamente Vanessa, para enfrentar Arthur Virgílio, pela Prefeitura. Perde. Arthur vira prefeito.
2014 – Braga é, outra vez, candidato ao Governo do Estado. Seu ex-aliado, o governador Omar Aziz, indica o vice, José Melo, como candidato. Os dois vão ao 2º Turno, mas Braga, numa surpresa, perde a eleição.
2016 – Braga apoia a reeleição de Arthur Virgílio. Em troca tira o candidato do PMDB, Marcos Rotta, que vira vice. Arthur ganha.
2017 – José Melo é cassado. David Almeida ocupa o governo, como terceiro na linha de sucessão, na condição de presidente da Assembleia Legislativa. Omar, dono do PSD, partido dele, impede que a sigla o indique. Amazonino vira candidato de Omar e Arthur. E se torna governador tampão.
2018 – Amazonino disputa o governo, agora num mandato normal, e perde para o novato Wilson Lima. Braga é candidato à reeleição como senador. Fica em segundo lugar, à frente, por poucos votos, do deputado estadual Luiz Castro.
2020 – Braga volta a apoiar Amazonino, que é candidato a um quinto mandato de prefeito de Manaus.
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