12/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Mortos no Abacaxis eram do Bope e ‘caveiras’ do AM vão atrás dos culpados

Publicado em 05 de agosto, 2020

Mortos no Abacaxis eram do Bope

Mortos no Abacaxis eram do Bope e companheiros no curso de Operações Especiais prometem punir culpados. Foto: Marcos Santos

“As mortes do 23 e 33 não ficarão impunes. Vamos atrás dos culpados”. A frase é de um dos Policiais Militares (PM) do Amazonas que realizaram o curso de Operações Especiais. É o mesmo que ficou famoso ao ser parcialmente exibido no filme “Tropa de elite”. Eles são cerca de 40 no Estado, usam orgulhosamente o broquel da caveira – um símbolo de “vitória sobre a morte” – e se conhecem por números.

Os dois PMs foram mortos, sábado (01/08), no rio Abacaxis, que atravessa os Municípios de Nova Olinda, Borba e Maués. O local onde ocorreu o confronto fica a três horas, em lancha rápida, de Nova Olinda. Foi uma emboscada. O rio é conhecido pelo plantio de maconha, extração ilegal de ouro e abundância de tucunaré, o peixe símbolo da pesca esportiva.

O cabo Márcio Carlos de Souza, o 33, 40 anos, foi enterrado na manhã desta quarta (05/08), no cemitério N.S. Aparecida, Tarumã. Ele deixou um filho e a esposa está grávida. O cortejo desfilou pela cidade em carro de bombeiros. Ao lado estavam integrantes do Comando de Operações Especiais (COE), ao qual pertenciam. O cortejo foi seguido por um batalhão de policiais.

O 3º Sargento Manoel Wagner Silva Souza (23), 55 anos, que foi morto com tiros na testa, será enterrado somente à tarde, às 15h. “Foi uma espingarda 12, cano serrado, típico de guardas do tráfico. O cano serve para estabilidade e precisão a longa distância. Caçador não serra cano. Quem serra é porque quer uma arma de grosso calibre, para portar mais fácil. E ela é proibida por lei, porte ilegal, inafiançável”, disse um policial.

O indivíduo conhecido apenas como Bacurau, o principal suspeito das mortes, está sendo procurado por cerca de 40 policiais. Eles foram reforçar o contingente de Nova Olinda, após as mortes.

 

Os cursos

O curso do Batalhão de Operações Especiais (Bope), criado pelo tenente-coronel Paulo Amêndola, da PMRJ, em 1978, é duríssimo. O “pede pra sair”, exibido com riqueza de detalhes no “Tropa de elite”, é real. Muitos não conseguem superar a pressão psicológica e abandonam o curso. Ficam só os mais fortes e preparados.

O 23 fez, em Manaus, o primeiro curso de Operações Especiais da PM amazonense, em 2009. O 33 fez o 6º curso de Operações Especiais da PM de Roraima, em 2018. Os dois estavam entre os melhores soldados “operacionais”, capacitados para combate físico e armado, da polícia estadual.

Os dois morreram numa operação, iniciada sábado (01/08), na comunidade da Terra Preta, no rio Abacaxis. Eles buscavam desarmar possíveis comunitários que haviam atirado contra civis, pescadores, uma semana antes. Encontraram resistência armada e com armamento pesado, como fuzis modernos. Ficou claro, para a polícia, que se trata de integrantes de uma facção criminosa, que estariam protegendo plantações de maconha.

“O rio Abacaxis, como o Paraconi, em Nova Olinda, é conhecido por abrigar o crime. São foragidos da Justiça de toda espécie. A polícia tentou entrar lá, há alguns anos, foi recebida a bala e nunca mais ninguém tentou”, disse uma fonte da inteligência.

Os “caveiras” do Amazonas agora prometem encarar o desafio.

Veja a passagem do cortejo pela Ponta Negra:

Clique aqui para ver, no FaceBook do Portal do Marcos Santos, a cobertura de todo o enterro do cabo Márcio Carlos de Souza.

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