Ribeirinhos baleiam pescador esportivo. Droga investigada. ‘Não vamos admitir’, diz secretário de segurança. Veja foto

Ribeirinhos baleiam pescador esportivo

Ribeirinhos baleiam pescador esportivo e ameaçam fechar o rio Abacaxis, anunciando que se tornou exclusivo. Bacurau (camisa do Flamengo) e Maria (à frente) foram os mais agressivos. Polícia investiga tentativa de homicídio, formação de milícia e envolvimento com plantio e tráfico de maconha

Ribeirinhos do rio Abacaxis, afluente do rio Madeira, no Município de Nova Olinda do Norte, atacaram e atiraram em pescadores esportivos. O acidente aconteceu por volta de 8h30 da manhã de sexta (24/07). Saulo Moisés Rezende da Costa, dono da pousada Aroaki Lodge, no rio Urubu, em Itacoatiara, foi atingido com um tiro no ombro. “Não vamos admitir que alguém queira fechar um rio”, disse o secretário estadual de Segurança, coronel PM Louismar Bonates.

Os pescadores esportivos ficaram preocupados. O segmento cresce a cada ano. A enchente foi considerada pequena e a temporada deve iniciar em meados de agosto. Nos últimos anos tem sido registrado um aumento de organizações comunitárias tentando barrar entrada nos lagos mais piscosos, caso do Abacaxis. Em grande parte, o acesso já está sendo cobrado. O segmento recebe muitos norte-americanos, europeus e asiáticos, que se programam o ano inteiro. A notícia desse tiro, aliado à pandemia de Covid-19, pode ser um golpe muito duro para quem atua no setor.

Saulo foi socorrido no local pelo médico Jorge Aguiar, que também estava no barco-hotel Dona Dorva, de pesca esportiva. Aguiar retirou o projétil. “A bala ricocheteou numa haste, que estava no barco, e não chegou a penetrar fundo no meu ombro. Está tudo bem. Ficou foi o susto e o precedente”, disse o pescador atingido. O grupo retornou na sexta mesmo e chegou a Manaus domingo (26/07), por volta das 15h30. Saulo é secretário executivo do Fundo de Promoção Social do Estado (FPS).

 

Tentativa de homicídio, milícia e droga

O grupo fez um Termo de Declaração no 19º Departamento Integrado de Polícia (DIP). “Foi lavrado também um Boletim de Ocorrência (BO) por tentativa de homicídio. Vamos tomar o depoimento dele (Saulo), possivelmente amanhã (29/07). Depois encaminharemos tudo à autoridade policial de Nova Olinda. Será via Departamento de Polícia de Interior (DPI)”, disse o delegado Guilherme Torres, titular do 19º DIP.

O secretário estadual de Segurança preferiu não dar muitos detalhes de como pretende atuar no caso. Mas o portal obteve informações de que as investigações serão por tentativa de homicídio, formação de milícia e provável envolvimento com plantio e tráfico de drogas. “Ribeirinhos só têm arma de caça e não são violentos a ponto de atirar. Isso nunca ocorreu. Parece mais uma tentativa de fechar o rio para acobertar alguma coisa. O rio Abacaxis é conhecido por estar numa região de plantação de maconha”, disse uma fonte do portal.

 

Termo de Declaração

Veja, a seguir, o Termo de Declaração feito por Saulo Rezende, no 19º DIP:

“Compareceu Saulo Moyses Rezende da Costa, brasileiro, casado, secretário executivo do Estado do Amazonas, para Informar que no dia 24 de julho foi pescar no Município de nova Olinda do Norte, no rio Abacaxis, na lancha denominada “Arafat”, em conjunto com mais seis amigos. Que também nessa oportunidade acompanhava a pescaria a lancha denominada “Dona Dorva”, com tripulação e passageiros. Que, já na Entrada do rio Abacaxis, foram impedidos de entrar pelos “líderes” da comunidade, auto denominados, com a alcunha de “Bacurau” e “Maria”, quando vários milicianos, sob a ordem dos dois, cercaram as duas lanchas, estando os mesmos fortemente armados, com armas de fogo e armas brancas, além de tochas de fogo.

“Que fomos ameaçados, caso tentássemos seguir na viagem, de atear fogo nas embarcações e de atirar nos membros da tripulação. Diante de tal circunstância, isso as 3h da manhã, as duas lanchas resolveram recuar, ficando cerca de 1 hora distante da comunidade. De forma pacífica, dois botes das duas embarcações resolveram ir a comunidade em busca de conversar e “pedir permissão” para o ingresso no rio. Foram informados que todos os passageiros eram pescadores esportivos licenciados, que não iam pescar nem para trazer peixe, nem para consumo. Que a pesca era de lazer e esportiva.

“Na sequência tanto Bacurau quanto Maria se mostraram muito agressivos, segundo eles “dando o segundo alerta” para irmos embora de lá, informando ainda que seguiam ordem dos Srs “Chalubinho” e “Pedro” donos da embarcação “Legend”, que eram “donos do local”. Que haviam adquirido o mesmo através de ordem do Juliano do Ipaam e do Ministério Público. Que, em contrapartida, a conversa foi a nível de esclarecimento, que a área não era privado, e que todos poderiam lá pescar esportivamente.

“Ambos, Bacurau e Maria, foram duros em não permitir o ingresso na área, mais uma vez ameaçando de tacar fogo nas duas lanchas e atirar nos passageiros. Sentindo-nos ameaçados, mais vez, resolvemos retornar às lanchas, oportunidade em que outros milicianos, sob as ordens de Bacurau, resolveram segurar os dois botes, objetivando saquear os objetos, quando então resolvemos arrancar de lá.

“Nesse momento começaram a atirar nos passageiros do bote, quando fui atingido no ombro direito, por sorte conseguindo escapar com vida. Que, ao chegar no bote, fui socorrido pelo dr Jorge Aguiar, que era tripulante e médico, que retirou o projétil e prestou os primeiros socorros. Diante de tal circunstância, seguimos às pressas para Manaus, chegando as 15h30 do dia 26 de julho.”

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