30/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Livro traça perfil do tráfico ‘varejista’ com pesquisa de processos na Vecute

Publicado em 05 de agosto, 2020

Livro traça perfil do tráfico 'varejista' com pesquisa de processos na Vecute

Livro traça perfil do tráfico ‘varejista’ com pesquisa de processos na Vecute. Foto: Divulgação

O livro “O Tráfico em Manaus”, escrito pelo servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) Miguel Jaime dos Santos Agra, e lançado no dia 9 de julho, em Manaus, traz os resultados de uma pesquisa que procurou traçar o contexto da prática do tráfico “varejista” de drogas, através da análise de diversas variáveis, a partir de processos da 3.ª Vara Especializada em Crimes de Uso e Tráfico de Entorpecentes da Comarca de Manaus (3.ª Vecute).

Pelo levantamento, entre outros dados, dos 271 réus entrevistados, 70,15% foram presos com cocaína e 22,89% estavam tanto com cocaína quanto com maconha e 49% eram reincidentes pelo mesmo crime.

Livro traça perfil

Segundo o autor, “o tráfico de drogas em Manaus é marcado pelo comércio ilegal de cocaína e maconha” e o contexto da prática do tráfico “depende da conjugação de uma variedade de circunstâncias e condições sociais”. “Para cada espécie de droga, há um padrão diferente, o que pode mudar quando relacionado às variáveis socioeconômicas, a exemplo da escolaridade; idade; gênero; local do crime; renda familiar; entre outras”, explicou Miguel Agra.

O servidor do TJAM registra, ainda, que “essa intrigante dinâmica social é analisada e compreendida à luz de uma visão crítica do processo de criminalização, considerando, inclusive, as violências institucionais a partir de pesquisa de campo em que foram entrevistados 271 acusados, no período de maio de 2012 a janeiro de 2013, durante a realização de audiências de instrução e julgamento perante o Juízo da 3.ª Vara Especializada em Crimes de Uso e Tráfico de Entorpecentes da Comarca de Manaus”.

Dados

A obra, publicada pela Editora Spessotto, revela outros dados interessantes. No quesito “Escolaridade”, 84% dos réus não possuíam o nível médio completo, enquanto 56,83% não tinham o ensino fundamental completo, o que demonstra, segundo o autor, forte relação entre a educação e a criminalidade.

“A ideia da pesquisa era verificar se a tese da criminologia crítica, que estuda os fenômenos da criminalidade, não apenas considerando o agente criminoso, mas todo um contexto institucional, poderia ser aplicada em âmbito local. Levantar as variáveis socioeconômicas através dessas entrevistas com os réus, nos possibilitou realizar o cruzamento dessas informações”, ressaltou Miguel Agra.

Durante a pesquisa, foram levantadas, outrossim, informações relacionadas ao réu e ao processo, como unidade de custódia; reincidência pelo mesmo crime ou por crimes diferentes; zona da cidade que ocorreu o crime; período do dia; grau de instrução de cada acusado, entre outras variáveis socioeconômicas.

Estudo

O estudo mostrou também que 80% dos presos eram do sexo masculino. Em relação à região da cidade onde o crime foi cometido, três das sete zonas urbanas de Manaus revelam números expressivos: em 32,84% dos casos julgados na 3.ª Vecute os crimes foram cometidos na região Norte da capital; 28,41% na região Sul; e 21,40% na região Leste.

A zona de moradia do réu também revelou forte proximidade com o lugar em que ocorreu o crime – sendo 33,95% na zona Norte; 23,62% na zona Sul; e 22,51% moravam na zona Leste, evidenciando que o réu, na maioria das vezes, foi preso na região onde residia na ocasião do crime.

Crimes vespertinos

Outro dado revelador foi apontado pela análise do período do dia de ocorrência dos crimes, sendo o maior índice registrado à tarde, com 43,28%.

Diante desse contexto fático, “a análise dos dados apresentou informações significativas a ponto de se constatar a aplicabilidade da própria dogmática da criminologia crítica. É aquilo que já sabemos como constatação; como conhecimento popular, porém o que não se sabe, ao certo, é como proceder de forma efetiva. Então, a pesquisa oferece uma contribuição importante para a elaboração de políticas de combate à criminalidade de forma mais precisa, além de fornecer substratos objetivando uma atuação eficiente de ressocialização de presos”, frisou Miguel.

O autor

Ocupando atualmente o cargo de analista judiciário do Tribunal de Justiça do Amazonas, Miguel Jaime dos Santos Agra é graduado em Direito pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam); possui especialização em Direito Processual Penal pela União de Faculdades de Alagoas; bem como mestrado em Segurança Pública, Cidadania e Direitos Humanos pela Ufam.

O livro “O Tráfico em Manaus” pode ser adquirido na Livraria Capital, localizada na Avenida Paraíba, n.º 731, Adrianópolis.

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