
Violência contra a mulher aumenta 30% antes e durante pandemia em Manaus. Foto: Divulgação
Manaus teve um aumento de 30,23% de casos de violência contra a mulher nos 5 primeiros meses do ano. Os dados foram disponibilizados pela Secretaria de Segurança Pública (SSP).
De janeiro a maio deste ano foram registrados 8.228 casos consumados de violência contra o sexo feminino. Nesse período, o aumento foi de 1.910 situações em relação aos mesmos meses do ano passado, que registrou 6.318 ocorrências. Já o registro do ano inteiro de 2019 soma 17.984.
De acordo com a SSP, os principais casos do período de 2020, antes e durante a pandemia de Covid-19, foram referentes a injúria, com 2.554 registros; ameaça, com 2.389; e lesão corporal, com 1.109 registros. Eles não informaram o número de casos referentes ao interior do Estado.
Entre março e abril deste ano, já em meio à pandemia do novo coronavírus, os casos de feminicídio cresceram 22,2% em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com um levantamento feito em 12 Estados e divulgado na semana passada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
No mesmo levantamento, o FBSP apontou queda na abertura de Boletins de Ocorrência ligados à violência doméstica. Para a entidade, os dados do levantamento demonstram que, ao mesmo tempo em que estão mais vulneráveis durante a crise sanitária, as mulheres têm tido mais dificuldade para formalizar queixa contra os agressores.
Em Manaus, a ocorrência mais recente de violência contra a mulher de grande repercussão ocorreu no último domingo (21), no qual imagens de câmera de segurança mostram um homem agredindo duas mulheres e um travesti no bairro Nova Cidade, na zona Norte de Manaus.
O suspeito foi identificado como sendo Lucas de Almeida Miranda, conhecido como “Gordinho”. Ele teria iniciado as agressões após ter sido “rejeitado”, tendo uma investiga negada pelas envolvidas. Nas imagens é possível vê-lo jogando uma lata em direção a uma das vítimas e depois a briga é iniciada. Ele ainda está sendo procurado.
Em contato com a assessoria da Polícia Civil, ao ser vítima de violência, a mulher procura a Delegacia Especializada em Crimes Contra a Mulher (DECCM), onde é registrado o Boletim de Ocorrência (BO).
Na unidade policial ela é ouvida, uma requisição de exame de corpo de delito é expedida e durante a oitiva, a delegada solicita à Justiça medidas protetivas em favor dessa vítima.
Um Inquérito Policial (IP) é instaurado para apurar as circunstâncias do fato, bem como ouvir o autor das agressões e as pessoas que estavam no local do crime.
Essas diligências são necessárias, visto que a polícia precisa de elementos concretos para solicitar prisões preventivas, caso exista materialidade suficiente para isso. Se durante esse processo a vítima não se sentir segura, ela precisa retornar à delegacia.
De acordo com a delegada Acácia Pacheco, titular da Especializada em Crimes Contra a Mulher (DECCM) – zona Centro-Sul, a DECCM está presente em três zonas da capital, incluindo a Sul e Norte/Leste.
A delegada explica que o atendimento nas especializadas é acolhedor e conta com um profissional de Psicologia, responsável por avaliar a dimensão do trauma sofrido pela vítima.
Por fim, a vítima é encaminhada à assistência social, que realiza o procedimento de acolhimento e encaminhamentos de acordo com cada caso.
Uma campanha promovida pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) pretende incentivar as vítimas de violência doméstica a denunciarem agressões nas farmácias.
Pela campanha Sinal Vermelho contra a Violência Doméstica, basta mostrar um X vermelho na palma da mão para que o atendente ou o farmacêutico entenda tratar-se de uma denúncia e em seguida acione a polícia e encaminhe o acolhimento da vítima. 
A ação é voltada para as mulheres que têm dificuldade para prestar queixa de abusos, seja por vergonha ou por medo. “A vítima, muitas vezes, não consegue denunciar as agressões porque está sob constante vigilância. Por isso, é preciso agir com urgência”, disse a presidente da AMB, Renata Gil, de acordo com o material da campanha.
Cerca de 10 mil farmácias de todo o país, filiadas a duas associações do setor, são parceiras na iniciativa. Segundo o material da campanha, atendentes e farmacêuticos seguirão protocolos preestabelecidos para lidar com a situação e não necessariamente serão chamados a testemunhar nos casos.
Reportagem: Fabrinne Guimarães
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