14/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Hotéis adotam protocolos e aguardam retomada de voos e retorno de hóspedes no AM 

Publicado em 19 de junho, 2020

Hotéis adotam protocolos e aguardam retomada de voos e retorno de hóspedes no AM. Foto: Reprodução

O setor de hotelaria está entre os mais afetados pela pandemia do novo coronavírus. Para o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis no Amazonas (Abih-AM), Roberto Simon Bulbol, a suspensão de voos nacionais e internacionais representou o primeiro impacto ao segmento. Nesse período, o setor viu a ocupação cair rapidamente no estado: saiu de 38% para 8%. Com a reabertura, o segmento espera crescer até 12% agora em junho. Aguardando a retomada dos voos e o retorno dos hóspedes, a hotelaria local vem adotando protocolos de biossegurança para atendimento na pandemia.

Antes da pandemia, a hotelaria vinha alimentando uma expectativa de retomada de crescimento, uma vez que 2019 foi considerado um ano ruim para o segmento. Desde a Copa do Mundo de 2014, o setor somava perdas.

“Estávamos começando a ter uma sequência e, assim, tendo uma perspectiva futura para 2020 de uma ocupação. [Com a pandemia], nós já começamos logo, de imediato, a sofrer uma queda”, avalia Bulbol, que também é vice-presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares do Estado do Amazonas (SindHoteis-AM).

O impacto foi ainda mais significativo para o Amazonas porque janeiro e fevereiro são considerados meses de baixa estação no estado. “Manaus não tem tradição de praia, de carnaval”, explica.

O primeiro impacto veio com o cancelamento das viagens. “Depois, foi cancelado o transporte rodoviário, interestadual e, no caso do Amazonas, o fluvial”, lembra Bulbol. Ele se refere ao decreto que suspendeu o transporte fluvial e terrestre no estado, para frear a disseminação da Covid-19 entre as cidades.

Em seguida, houve cancelamento de reservas na hotelaria. “Começamos a ver que os hotéis iam ficar sem hóspedes. E você não pode manter negócio nenhum, se não tiver faturamento”, destaca.

Todos esses fatores levaram à queda da ocupação. “Muitas vezes, não compensava, por exemplo, um hotel de cem apartamentos ter cinco apartamentos ocupados. Você precisava de uma equipe para fazer o café; uma equipe da governança para arrumar, para limpar; de manutenção; recepcionista”, lista. “Um custo muito alto para tudo isso”, completou.

Como a economia em torno do setor hoteleiro, envolve outros segmentos dentro do turismo, os impactos, que começaram com a suspensão de pacotes de viagens, afetaram desde os funcionários que trabalham nos hotéis a guias de turismo, que realizam visitas guiadas. “Foi uma coisa quase que instantânea. Foi um ‘efeito dominó’ no nosso segmento”, ressalta Bulbol.

Um dos setores mais afetados

Na avaliação de Bulbol, o turismo foi um dos setores mais afetados pela pandemia. O que ele chama de ‘efeito dominó’ começou pelas companhia aéreas. “Os aviões pararam de voar. Acabou com o turismo internacional. Logo nas primeiras semanas, quando começou, fecharam as fronteiras. Então, praticamente, não tem voos”, lembra.

Primeiro foram suspensos ou reduzidos os voos internacionais. Depois, foi a vez dos locais – os chamados voos domésticos. “Para nós [hotelaria], o impacto foi imediato”, reitera.

De acordo com ele, diante do cenário, parte das redes decidiu fechar hotéis. E algumas ainda não reabriram.

Sobrevivência na pandemia

Para evitar demissões, empresários do setor aderiram a um plano do governo federal que possibilita a compartilhamento dos pagamentos dos funcionários, na pandemia, entre o empregador e o poder público. Alguns hotéis decidiram trabalhar com horas reduzidas.

Parte dos empresários do setor também decidiu dar férias coletivas no período.

Alguns hotéis reorganizaram a ocupação, para enxugar os custos – já que esses estabelecimentos têm custos fixos altos, como contas de água e luz. “Começamos a ocupar os andares debaixo, porque, justamente, o elevador só desloca apenas um andar”, conta.

No entanto, essas medidas não foram suficientes. “A queda foi geral mesmo. Começamos a sentir que não tinha era hóspede”, citou.

Segundo Bulbol, a ocupação caiu para 8%. Com a reabertura do comércio no dia 1º deste mês, o setor passou a registrar novas reservas. “É insignificante, mas é melhor do que a gente não ter nada, como nós estávamos vindo”, avalia.

A perspectiva para junho é que a ocupação chegue a 12% nos hotéis do Amazonas.

De modo geral, o Amazonas costuma receber mais turistas americanos e europeus, especialmente para temporadas de pesca. Ao chegar, o turista costuma dividir os passeios entre Manaus e as regiões mais próximas à selva amazônica. “Ele se completa: fica uns dias na cidade; outros dias ele vai para um passeio no rio; às vezes, vai para um hotel de selva”, detalha Bulbol.

De acordo com ele, a rede hoteleira conta com uma média de 170 hotéis em Manaus, entre hotéis, pousadas, pequenos hotéis.

Incentivo ao turismo interno

No pós-pandemia, o presidente da Abih-AM acredita que a população vai se voltar mais para o turismo interno, em razão do tempo de deslocamento das viagens.

“Acredito que o cliente não vai mais querer se aventurar a ir para outros países mais distantes, na Ásia ou Europa, por exemplo. Ficar 9 horas ou 12 horas dentro de um avião”, diz.

Conforme Bulbol, a expectativa é que tudo seja normalizado em um prazo de 18 meses. “Mas, a gente acha que as viagens curtas vão voltar logo. É hora de começarmos a trabalhar dentro do Brasil, fazer o brasileiro conhecer melhor o Brasil, a Amazônia, o Amazonas”, afirma.

Protocolo pós-pandemia

Nesta sexta-feira (19/6), a Empresa Estadual de Turismo do Amazonas (Amazonastur) disponibilizou, aos operadores do trade amazonense o Protocolo de Biossegurança dos Serviços Turísticos do Amazonas, um estudo que reúne as principais orientações dos órgãos mundiais de saúde para as boas práticas sanitárias, que devem ser utilizadas no período pós-pandemia.

O protocolo de biossegurança norteia para boas práticas sanitárias em sete segmentos turísticos: agências de viagens, bares e restaurantes, eventos, guias de turismo, hotelaria, pesca e transporte terrestre.

“Nós estamos nos readaptando e nos adequando a esse protocolo, que realmente é uma necessidade. Nós temos que fazer essa biossegurança específica para a hotelaria e esperamos cumprir tudo isso”, disse Bulbol, ao ser referir ao protocolo da Amazonastur.

Segundo ele, a hotelaria amazonense já vinha adotando medidas de segurança. “Isso já é uma exigência normal. Mas, na hotelaria, infelizmente, não temos é hóspede, no momento”, reforça.

O protocolo voltado à hotelaria adverte que, “além de investir no cumprimento dos passos de higienização de quartos e áreas comuns, será necessário construir uma imagem confiável para o hóspede, com colaboradores usando EPI´s e também na comunicação das ações que estão sendo tomadas para diminuir o risco de contaminação”.

Entre as orientações está, ainda, a desinfecção dos cartões e chaves dos quartos e incentivo ao pagamento eletrônico.

O documento orienta sobre limpeza dos quartos nos casos em que forem encontrados matérias orgânicas (fezes, urina, sangue e vômito) e traz diversas recomendações que se aplicam à hotelaria.

Leia aqui o protocolo de biossegurança para o segmento de hotelaria. 

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