
Briga por fortuna de Ritta Bernardino é antiga. Na foto, dia 21 de janeiro de 2016, visita para atestar se ele estava lúcido: O presidente da OAB-AM, Marco Aurélio Choy (esquerda), a agora viúva Rosa, Ritta (sentado), Glen Wilde e Robert Lincoln, durante a visita, no dia 21 de janeiro, à casa do empresário-advogado. Foto: FaceBook da OAB-AM
A riqueza acumulada por um dos advogados e empresários mais ricos do Amazonas, Francisco Ritta Bernardino, é alvo de disputa feroz. O espólio é composto por centenas de imóveis, espalhados por Brasil, Estados Unidos e Europa. São oito herdeiros, todos filhos, quatro do primeiro casamento, três de relações extraconjugais e um da viúva, Maria da Conceição, que ele chamava de Rosa. A viúva, que viveu 36 anos com Ritta, é inventariante e meeira. Essa posição significaria que tem direito a metade dos bens deixados, por contrato de casamento e não pelo falecimento.
Desde já, o portal franqueia a palavra a qualquer das partes envolvidas, a qualquer momento, para oferecer versão diversa sobre o litígio.
Ritta Bernardino faleceu no dia 12 de maio de 2018. O mais conhecido dos imóveis dele, o hotel Ariaú Jungle Towers, foi leiloado e abandonado, por dívidas, a maioria trabalhistas. O outro, o hotel Mônaco, esquina da avenida Constantino Nery com rua Silva Ramos, segue o mesmo caminho.
Terça-feira, a Amazonas Energia fez o enésimo corte no hotel Mônaco. O fornecimento foi interrompido, oficialmente, em janeiro de 2017, por uma dívida de R$ 1.236.805,90 com a concessionária. Desta vez, uma ligação clandestina foi flagrada: a energia, trifásica, estava ligada no ramal do imóvel vizinho. O “gato” oferecia risco, segundo a empresa, para hóspedes e funcionários.
Os litigantes pela fortuna de Ritta Bernardino estão definidos. São filhos do primeiro casamento Édson (mais velho), Edilson, Eliene e Ellen. Todos têm o mesmo sobrenome, Ritta Honorato. Francisco Ritta Bernardino Júnior é o único filho do segundo casamento, com Maria da Conceição, a Rosa. Os extramatrimoniais são Eduardo Ritta Bernardino, 20 anos, e as crianças LFRB, 13, e GFRB, 10.
A viúva tem apoio de Edson e Eliane, que mora nos EUA. Conta com os três extraconjugais, inclusive as duas crianças. O Ministério Público do Amazonas (MPAM) foi acionado para apoiá-los. Do outro lado estão Edilson e Ellen Ritta.
Em vida, o empresário e advogado passou alguns imóveis para os nomes de Ellen e Edilson. Um deles é o hotel Mônaco, administrado por Edilson. A inventariante quer a retomada desses imóveis e entrou com ação judicial para isso. Rosa alega que Ritta gravou vídeo pedindo a devolução dos imóveis.
Francisco Ritta Bernardino, no fim da vida, acometido de Parkinson, teve a própria capacidade mental questionada, judicialmente, pelos filhos. A viúva foi acusada de manipulá-lo, utilizando doses cavalares de remédios. O juiz Luiz Cláudio Chaves, que julgava o pedido de interdição, e o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil no Amazonas (OAB-AM), Marco Aurélio de Lima Choy, chegaram a ir à casa dele. Saíram dizendo que Ritta continuava dominando o que acontecia ao seu redor. Depois, a interdição foi concedida, mas a guarda ficou com Rosa.
A disputa pela fortuna de um dos homens mais ricos do Amazonas segue. Sem data para acabar.
o Ariaú fecha as portas, afundado em dívidas.
o Em abril, Ritta passa a administração do Mônaco para a empresa Amazon Geographic Hotéis Ltda., do filho Edilson Ritta. Havia neste momento uma dívida de energia elétrica no valor de R$ 394.851,87, que foi condicionada, no mesmo contrato entre pai e filho, para que Edilson pagasse. Acertaram que, mensalmente, seria feita prestação de contas e que, dos dividendos do Mônaco, Ritta ficaria com 20% e Edilson com 80%. Essa dívida nunca teria sido paga pelo herdeiro, como também a prestação de contas nunca teria sido feita.
• Em 2019, a inventariante entra com uma ação para a reintegração da posse do Hotel Mônaco, assim como com ação de solicitação da prestação de contas, prevista no contrato entre pai e filho. Alegou a necessidade de identificar dívidas que pudessem vir a incidir sobre o espólio. Edilson não devolveu o imóvel, nem teria apresentado a prestação de contas.
CONTRATO-ADM- E-PREST SERV-RIVER-MONACO-AMAZOM GEOGRAPHIC
CERTIDÃO DE INTERDICAO E CERTIDAO DE NASCIMENTO-RITTA
SENTENÇA-DE-INTERDICAO-E-TERMO-DE-COMPROMISSO-CURADORA
DECISAO INTERLOCUTORIA-NOMEACAO DA INVENTARIANTE-MARIA DA CONCEICAO
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