Prefeito pede prorrogação de mandatos com unificação das eleições em 2022

Prefeito pede prorrogação de mandatos

Prefeito pede prorrogação de mandatos. Jair Souto (foto) é o tesoureiro da Confederação Nacional dos Municípios

O Brasil não tem condições de se recuperar da pandemia e fazer eleição para prefeitos e vereadores, ainda este ano. A saída, que seria inevitável, é a prorrogação de mandatos dos atuais prefeitos e vereadores. Em 2022, haveria eleição de vereador a presidente da República. “Estamos enfrentando milhares de mortes e a eleição perdeu relevância. Uma eleição sem relevância pode ser um desastre para a democracia”, afirma Jair Souto, prefeito municipal de Manaquiri (AM).

Souto é tesoureiro da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), que reúne mais de 5 mil prefeitos, e está antecipando uma bandeira. “A quem interessa a realização de eleições a cada 2 anos? Profissionais que atuam nelas e pessoas que utilizam o escalonamento de eleições como estratégia de ascensão política. Uma hora a pessoa é deputada e quer ser prefeita. Outra hora ela é prefeita e quer ser governadora, e assim vai!”, argumenta.

O prefeito não se preocupa com a acusação de estar lutando em causa própria, já que o mandato dele seria um dos prorrogados. “Acho que é diferente: com as condições atuais, quem está no mandato tem todas as vantagens. Como é que alguém com mais de 60 anos vai sair, em busca de votos, expondo a própria vida na pandemia?”, indaga.

 

Manaquiri

Jair Souto comemora o fato de Manaquiri ter um dos menores índices de infecção do Amazonas. É o que revela o Boletim da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS) do domingo (24/05). São 94 casos e seis óbitos, a melhor posição na Região Metropolitana de Manaus e a 35ª no Estado. A cidade fica a uma travessia do rio Solimões de Manacapuru, a campeã de infecções. “Distribuímos máscaras e quase 99% da população está usando. Montamos dois hospitais, um para as demais doenças e outro exclusivo para Covid-19. Quem apresenta sintomas recebe medicamentos e se trata, preferencialmente, em casa. Eu mesmo peguei, passei sete dias mal, mas fui tratado em casa”, revela.

O prefeito juntou a maior equipe médica que os 32 mil habitantes de Manaquiri já reuniram. São 13, no total, todos já fixados na sede municipal. “Não conseguimos montar UTI porque os preços explodiram. Compramos EPI (Equipamento de Proteção Individual) mais barato, no entanto, porque a compra foi bastante antecipada”, explica.

 

Veja, abaixo, o artigo de Jair Souto defendemos adiamento da eleição e prorrogação de mandatos:

“Vidas ou calendário eleitoral, a quem devemos salvar?

Temos assistido ao debate sobre a realização das eleições municipais em 2020 ou não, e é importante fazermos algumas reflexões.

Antes de qualquer coisa, é fundamental que todos nós tenhamos grandeza nesse momento. Não será bom para o Brasil se alguns forem favoráveis ao adiamento da eleição apenas para permanecerem mais algum tempo no mandato. Também será um grande problema para o nosso país se as pessoas defenderem a realização do pleito simplesmente por quererem disputá-lo. Há muito mais em jogo do que a disputa pelo poder e todos nós precisamos entender isso.

É importante ressaltar que, em qualquer cenário, há ganhos e há perdas. Então, o equilíbrio deve pautar os posicionamentos e os debates. Também devemos nos orientar pela ciência e pelas informações obtidas através de pesquisas.

Devemos registrar que não há cabimento em pensarmos a realização de uma eleição de forma remota, através de aplicativos ou algo semelhante. Quem propõe isso não conhece o Brasil ou não se importa com o voto dos habitantes dos territórios mais longínquos e com internet precária. Essa proposta também ignora a plena participação das pessoas em maior vulnerabilidade, que não possuem recursos para a aquisição de smartphones. É uma possibilidade que deve ser descartada.

Outra questão relevante ao debate é o adiamento da eleição sem prorrogação de mandatos, ou seja, realizar a eleição ainda em 2020. Esta proposta é a pior de todas porque não altera quase nada em termos de proteção à sociedade e torna impossível o cumprimento da legislação, uma vez que a transição de mandatos praticamente não existiria, entre outras coisas.

A prorrogação de mandatos pode ser ruim em localidades cuja administração municipal não está bem, mas também seria péssimo realizar uma eleição sem o devido debate. A eleição deve gerar um contrato social entre eleitores e eleitos. Sem debate, sem apresentação e discussão de ideias, não há contrato social. Esse é um prejuízo gigantesco!

Por falar em prejuízo, gasta-se muito dinheiro para a realização de uma eleição em todo o território nacional. Não parece que tenhamos essa disponibilidade de recursos em 2020. Muito dinheiro ainda será gasto para salvar vidas e para recuperar a economia.

Se adotarmos eleições gerais a cada 4 anos, além da economicidade, temos a possibilidade de aprimorar o modelo federativo através do voto, através do link entre o micro e o macro, do local com o nacional.

Então, considerando as colocações acima, a melhor opção consiste no adiamento da eleição para 2022, com prorrogação de mandatos e unificação das eleições.

Se não houver um adiamento deste porte, é melhor manter o pleito em outubro.

Pensando de uma forma mais ampla, a quem interessa a realização de eleições a cada 2 anos?

Profissionais que atuam nelas e pessoas que utilizam o escalonamento de eleições como estratégia de ascensão política. Uma hora a pessoa é deputada e quer ser prefeita. Outra hora ela é prefeita e quer ser governadora, e assim vai!

Por outro lado, os prejuízos para a administração pública são enormes porque no mundo político todos se mobilizam durante uma eleição, e um mandato que passará por uma eleição a cada 2 anos se prejudica quanto ao desenvolvimento de políticas públicas.

Pior ainda num ano como 2020, quando estamos enfrentando milhares de mortes e a eleição perdeu relevância. Uma eleição sem relevância pode ser um desastre para a democracia.

Por fim, a politização de 2020, por conta da eleição, já tem sido prejudicial ao combate à pandemia. Veja em Manaus o que ocorreu essa semana. O Poder Público se esforçou para ampliar e reorganizar o acesso aos leitos hospitalares, diminuindo o percentual de ocupação. Num ano politizado, deu-se muita publicidade a isso. O que está acontecendo agora? A população relaxou e podemos voltar a ter elevação no número de casos.

Estamos vivendo um grande problema, eu diria que o maior problema da nossa geração. Precisamos utilizar esse problema para melhorarmos, para pensarmos coletivamente. Não cabe mais meramente competir, é preciso cooperar!

Espero ter ajudado!

Abraços fraternos,

JAIR SOUTO”

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1 comentário

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  1. Shirley disse:

    Concordo de não ter eleições