17/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Pneumologista alerta pacientes respiratórios crônicos sobre cuidados contra a Covid-19

Publicado em 25 de maio, 2020

Pneumologista alerta pacientes respiratórios crônicos sobre cuidados contra a Covid-19. Foto: Divulgação

Doenças respiratórias crônicas, como enfisema e asma brônquica, são agravantes na infecção pela Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus. O alerta é do pneumologista Edson de Oliveira Andrade, que também é professor na Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Amazonas (FM/Ufam) há 38 anos. O médio também explicou por quais motivos esses pacientes estão no grupo de risco do novo coronavírus e listou cuidados que devem ser tomados para evitar a contaminação.

Em entrevista ao setor de comunicação da Ufam, o médico lembrou que a pandemia de Covid-19 impactou os serviços de saúde. Com a superlotação das unidades de saúde, os pacientes com doenças respiratórias crônicas devem se manter distantes desses locais.

“Os pacientes crônicos, que possuem doenças que acarretam maiores riscos quando afetados pelo vírus, necessitam ser protegidos e afastados de locais de aglomerações e concentração de pessoas, como costumam ser os ambulatórios médicos, os quais, inclusive, tiveram os seus atendimentos presenciais suspensos e substituídos, dentro do possível, por teleconsultas”, reforça Andrade.

Por que esses pacientes estão no grupo de risco?

Ao Portal, o médico explicou que pacientes com doenças respiratórias crônicas estão no grupo de risco do novo coronavírus porque já deixaram o pulmão, principal órgão afetado pelo coronavírus, debilitado. “O vírus entra pela mucosa respiratória. Ele afeta o organismo como um todo, mas, basicamente, de uma maneira muito mais intensa, ele afeta os pulmões”, disse.

O pneumologista citou o enfisema – doença que já acarreta desconforto e insuficiência respiratória dependendo do paciente. Os pulmões das pessoas que têm essa doença crônica já são debilitados, e uma infecção por Covid-19 pode piorar a capacidade residual desses órgãos. “Esses pacientes representam uma possibilidade de complicação muito maior, porque eles já partem de um nível de perda funcional pré-existente”, afirmou.

O médico explicou que a função do pulmão é levar o oxigênio para as hemácias – células presentes no sangue-, que vão redistribuí-lo para todo o corpo. “Nós precisamos de oxigênio como fonte de energia. Ele é um desdobrador da fonte de energia, que é a glicose”, ressaltou.

De acordo com o especialista a rinite, que é uma doença das vias respiratórias superiores, também exige cuidados do paciente. No entanto, o médico afirmou que as doenças que afetam o pulmão, uma via aérea inferior, são as que mais preocupam. Ele citou algumas: enfisema, bronquite, asmas, doenças fibrosantes crônicas, bronquectasias. “Todas essas são situações que o pulmão, por si só, já se recente por causa da doença pré-existente”, disse.

Cuidados

O médico também alertou sobre que as pessoas que têm doenças respiratórias crônicas não devem suspender as medicações de uso continuado. “Se descuidarem da medicação, correm risco de descompensação das suas doenças, o que será um grande problema se necessitarem de atendimento emergencial, pois os pronto-socorros estão assoberbados com os doentes da Covid-19”, disse.

O especialista lembrou que o isolamento social eficiente é uma alternativa para manter esses pacientes afastados do risco de contaminação pelo novo coronavírus.  Segundo o médico, “as comorbidades respiratórias, como enfisema e asma brônquica, são agravantes na infecção pela Covid-19”.

Questionado sobre o que devem fazer as pessoas que apresentem sintomas da Covid-19 para que não recorram a unidades de saúde, ele recomendou o uso constante de máscaras, medicação, hidratação e hábitos de higiene.

“Essas máscaras deverão ser feitas, preferencialmente, de algodão e devem cobrir o nariz, a boca e o queixo e não apresentar vazamento nas laterais do rosto. Também recomendo o uso de Paracetamol, em caso de febre ou cefaleia (dor na cabeça); a constante hidratação e a separação dos utensílios da alimentação, além de manter a melhor higiene possível”, disse.

O pneumologista Edson de Oliveira Andrade, que é professor na Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Amazonas (FM/Ufam) há 38 anos. Foto: Divulgação

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