
Deputado federal Pablo Oliva (foto), presidente do PSL-AM, é o alvo da Polícia Federal na Operação Seronato
O deputado federal Pablo Oliva, presidente estadual do PSL-AM, é o delegado licenciado da Polícia Federal (PF) sob investigação. A mãe dele, Eda Maria Oliva Souza, ex-presidente do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário do Estado do Amazonas (Idam), teria sido favorecida no paisagismo do aeroporto de Manaus.
Pablo tem foro privilegiado e só pode ser investigado com autorização do Supremo Tribunal Federal (STF). Isso se aplica a ele, diretamente, ou ao envolvimento dele em qualquer investigação. A partir da mudança da abrangência do foro, porém, se o crime tiver sido cometido fora do período de mandato parlamentar, não é coberto pelo privilégio.
Eda foi demitida do cargo de presidente do Idam e substituída por Valdenor Cardoso, dia 11 deste mês.
A PF divulgou nota sobre a Operação Seronato. Trata-se de investigação que apura “atos que envolvem a subcontratação, realizada por um consórcio de empresas que atuou na construção do Aeroporto Internacional de Manaus/AM”. O trabalho visa esclarecer se a empresa, registrada em nome da mãe do policial federal, foi favorecida para executar o paisagismo do aeroporto, por R$ 1,2 milhão.
A empresa seria a Oliva e Souza Ltda., dona da razão social Amazonas Agroflorestal, executora da obra.
Seronato é personagem do “Sermão do bom ladrão”, do padre Antônio Vieira, escrito em 1655, conforme o site Passei Web. “De Seronato disse com discreta contraposição Sidônio Apolinário: Nom cessat simul furta, vel punire, vel facere. Seronato está sempre ocupado em duas coisas: em castigar furtos, e em os fazer. Isto não era zelo de justiça, senão inveja. Queria tirar os ladrões do mundo para roubar ele só! Declarando assim por palavras não minhas, senão de muito bons autores, quão honrados e autorizados sejam os ladrões de que falo, estes são os que disse, e digo levam consigo os reis ao inferno”, diz o texto.
Pablo Oliva se elegeu deputado federal com imagem colada à do presidente Jair Bolsonaro. Cultiva, com esmero, a proximidade com o Palácio do Planalto, publicando regularmente fotos com Bolsonaro. Só divergiu quanto à demissão do ministro da Justiça, Sérgio Moro, em nome da independência da PF.
No episódio da demissão do diretor-geral da PF, Maurício Valeixo, o presidente teria se queixado de investigação relacionada a “deputados próximos”. Pelo visto, o novo ocupante do cargo, delegado Rolando Alexandre de Souza, mandou tocar as investigações.
Vários condomínios residenciais de luxo em Manaus assistem, com expectativa, o desfile de carros da PF. Agentes e delegados estão cumprindo mandados de busca e apreensão expedidos pelo juiz federal Marllon Sousa, titular da 2ª Vara Criminal Federal da Seção Judiciária do Amazonas.
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