03/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Pablo Oliva se solidariza com Moro e mostra que ‘bancada da bala’ pode mudar

Publicado em 24 de abril, 2020

Foto: Divulgação

A confirmação da saída do jurista Sérgio Moro do Ministério da Justiça, nesta sexta-feira (24/4), tem repercutido entre a classe política do Amazonas. O deputado federal Pablo Oliva (PSL-AM) se solidarizou com Moro, em uma fala que reflete o descontentamento da ‘bancada da bala’ com o presidente Jair Bolsonaro. Na coletiva em que confirmou seu pedido de demissão, Moro fez relevações sobre o comportamento de Bolsonaro em relação à Polícia Federal (PF), estopim para o ex-juiz decidir entregar o cargo.

Pablo Oliva é delegado federal e membro da frente parlamentar da Segurança Pública, a chamada ‘bancada da bala’. Em texto publicado em suas redes sociais, Oliva disse que lamenta a saída de Moro. “Como um verdadeiro maestro, combateu a criminalidade e a corrupção no Brasil. Mantenho o meu compromisso com a autonomia e a independência da Polícia Federal nas investigações que resgataram o orgulho dos brasileiros”, escreveu.

Em um vídeo, o deputado também afirma que apoia a autonomia da PF. “Quero deixar consignado o meu compromisso com os valores e atributos que levaram a Polícia Federal a ser essa instituição de respeito e orgulho de todos os brasileiros, e é justamente a independência administrativa e autonomia de suas investigações”, disse.

Autonomia da PF

No discurso em que anunciou sua saída, Sérgio Moro revelou que Bolsonaro queria ter acesso a todas investigações realizadas pela PF. Moro pediu demissão depois que o presidente insistiu na saída de Maurício Valeixo da direção da Polícia Federal, que é vinculada ao Ministério da Justiça.

O presidente exonerou Valeixo nesta sexta. Segundo Moro, o governo federal chegou a usar sua assinatura na exoneração sem que ele tivesse tido conhecimento da demissão de Valeixo. Também circulam, nas redes sociais, informações de que Valeixo teria saído “a pedido”. “Eu não assinei esse decreto e em nenhum momento o diretor da PF apresentou um pedido oficial de exoneração”, disse Sérgio Moro, durante entrevista coletiva.

O ex-ministro criticou a falta de autonomia da PF na atual gestão e lembrou a atuação da Lava Jato em governos petistas. “Imaginem se durante a própria Lava Jato, ministro, diretor-geral, presidente, a então presidente Dilma, o ex-presidente [Lula], ficassem ligando para o superintendente em Curitiba para colher informações sobre as investigações em andamento?”, argumentou.

Racha

Agências de notícias nacionais confirmam que a saída de Moro provoca um racha entre os aliados de Bolsonaro no Congresso.

A ‘bancada da bala’ já estaria planejando uma reunião para a tarde desta sexta, onde avaliará se continuará mantendo apoio ao presidente.

Presidente da bancada da bala, na Câmara dos Deputados, o deputado Capitão Augusto (PL-SP) disse que esse é um momento de “luto total”.

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