
Sérgio Moro confirma saída do Ministério da Justiça; gota d’água foi troca na PF. Foto: Reprodução
Sérgio Moro confirmou, em coletiva na manhã desta sexta-feira (24/4), sua saída do Ministério da Justiça. Moro começou a coletiva elogiando a autonomia que teve em governos anteriores, embora esses governos tivessem problemas de corrupção.
Durante a coletiva, Moro lembrou de sua equipe e da saída de do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Maurício Leite Valeixo, uma das únicas indicações técnicas suas para cargo, que teria sido feita sem uma causa. “O que não é aceitável são as indicações políticas nessas corporações”, disse, acrescentando que “está sendo feita interferência política na PF”. “Autonomia da PF é um valor fundamental que temos que preservar dentro de um Estado de Direito”.
Moro lembrou que a troca foi um abalo na “carta branca” que ele teria recebido do presidente, sem ser apresentado razões para substituições. “Falei ao presidente que seria uma interferência política, e ele confirmou que seria mesmo. E que teria um impacto negativo. Para evitar uma crise durante uma pandemia, o momento é inapropriado para isso. Sinalizei para um perfil técnico e com capacidade, mas que fosse uma sugestão da própria Polícia Federal”.
Ele lembrou que foi chamado por Bolsonaro para integrar o Governo Federal em 2018. Como na época, Moro afirmou que aceitou o cargo de ministro da Justiça para combater a corrupção e outras questões ligadas à segurança, como combate a crimes violentos.
Moro aproveitou para rechaçar informações de que ele teria aceitado o cargo de ministro de Bolsonaro com a promessa de que ele ganharia uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).
Ele revelou que fez uma única exigência ao presidente e o general Augusto Heleno, quando decidiu aceitar o convite para ser ministro. Moro afirmou que considerou os 22 anos prestados ao serviço público como juiz federal. “Pedi que a minha família não ficasse desamparada quanto a uma pensão”, disse.
O ex-ministro também fez um balanço de sua gestão, citando prisão de membro do PCC, apreensões de drogas, ampliação de concursos e emprego da Força Nacional em cidades do país.
O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Maurício Leite Valeixo, foi exonerado do cargo. A exoneração ocorreu “a pedido”, segundo decreto assinado pelo presidente Jair Bolsonaro, e publicado no Diário Oficial da União desta sexta-feira (24).
Moro, no entanto, foi pego de surpresa pela exoneração – que não ocorreu “a pedido” como diz o Diário Oficial – e ficou indignado. Como o cargo é de livre nomeação do presidente, o ministro não precisaria assinar o despacho.
Questionado por apoiadores no fim da tarde de quinta-feira, ao chegar à residência oficial do Palácio da Alvorada, o presidente Jair Bolsonaro não respondeu.
Hoje de manhã Bolsonaro postou em uma rede social a imagem do trecho do Diário Oficial da União em que aparece a exoneração de Valeixo, junto com artigo da lei 13.047, de 2014, sobre a carreira policial federal. No post, Bolsonaro reproduziu trecho da lei que determina que o cargo de diretor-geral da PF deve ser nomeado pelo presidente da República.
“Art. 2º-C. O cargo de Diretor-Geral, NOMEADO PELO PRESIDENTE DA REPÚBLICA, é privativo de delegado de Polícia Federal integrante da classe especial”, postou Bolsonaro.
Da Redação e Agências