Um total de 208 profissionais de saúde estão sem atuar na linha de frente de combate ao novo coronavírus no Amazonas por falta de contrato de trabalho com o Ministério da Saúde (MS). O Governo do Amazonas e o MS não se manifestaram a respeito de como a situação ficará com a saída do ministro da saúde, Nelson Teich, anunciada nesta sexta-feira (15/5).
Os médicos, enfermeiros, biomédicos, farmacêuticos e fisioterapeutas começaram a chegar à Manaus no dia 4 de maio, em duas turmas. Alguns já estão há 11 dias na cidade sem atuar no atendimento a pacientes com Covid-19, em um momento de alta demanda nos hospitais e pronto-socorros da cidade.
A Susam disse que os profissionais já receberam treinamento e, agora, estão aguardando a formalização de seus contratos de trabalho, que será feita pelo Governo Federal, para começarem a trabalhar nas unidades de saúde da rede estadual e municipal. Eles receberão remuneração entre R$ 4,8 mil a R$ 19,2 mil, dependendo da especialização e unidades em que vão atuar.
A Susam reiterou que já solicitou, na última quarta-feira (13), por meio de memorando enviado ao Ministério da Saúde, a formalização dessas contratações e aguarda resposta.
A contratação foi anunciada no dia 2 de maio, em publicação no endereço eletrônico do Ministério da Saúde, onde foi informado que o órgão ministerial também será responsável por oferecer alojamento, alimentação, transporte e seguro saúde.
O Governo do Amazonas e à Prefeitura de Manaus, no entanto, destacaram que coube a eles viabilizar treinamento para os profissionais, alimentação, testes rápidos e monitoramento da saúde dos mesmos.
A secretária de Saúde, Simone Papaiz, apresentou o planejamento feito pela Susam para a distribuição desses profissionais. “Pensando em médicos intensivistas, as unidades que hoje precisamos reforçar são o Hospital de Combate à Covid-19, conseguindo assim ampliar o número de leitos de UTI. Também precisamos ter esses profissionais no Hospital e Pronto-Socorro 28 de agosto para a abertura de mais 12 leitos de UTI’’, explicou.
A Susam e o Ministério da Saúde divergem quanto ao número de profissionais que foram enviados pelo programa “O Brasil Conta Comigo”. Segundo a Susam, foram 267 profissionais, dos quais 208 estariam, de fato, aptos para atuar na rede estadual.
Para o MS, foram enviados 388 profissionais para o Amazonas, que já estão finalizando o processo de treinamento e registro. Destes profissionais, 85 estão hospedados em um hotel, sendo que 67 são de outros estados e o restante optou por não expor seus familiares à Covid-19 enquanto estiverem na linha de frente de combate à doença.
“Cabe destacar que estes profissionais de saúde passam por uma preparação que visa garantir a segurança dos profissionais, dos pacientes e dos serviços prestados. A capacitação inclui aulas de simulação realística para atuação em UTIs e uso adequado de EPIs. Os profissionais também passam por palestras sobre cuidados com a saúde mental e contam com suporte psiquiátrico durante todo o período de trabalho, além de realizarem testes para COVID-19”, informou o Ministério por meio de nota.
A assessoria declarou ainda que o MS entende que toda essa preparação é necessária antes de os profissionais começarem a atuar, de acordo com as escalas das Secretarias de Saúde do Estado e Município (Manaus) quanto à locação nos seus respectivos postos de trabalho.
Reportagem: Fabrinne Guimarães
Veja mais notícias em Cidade