
O então ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, o presidente da República, Jair Bolsonaro, e o ministro de Estado da Defesa, Fernando Azevedo, em reunião no dia 27 de fevereiro de 2020. Foto: Marcos Corrêa/PR
O Supremo Tribunal Federal (STF) recebeu, na nesta sexta-feira (8/5), a gravação de uma reunião do presidente Jair Bolsonaro e ministros citada pelo ex-ministro da Justiça Sergio Moro. O ministro Celso de Mello, que é relator do caso, decretou sigilo temporário ao material entregue pelo governo federal. Segundo o STF, a gravação “contém o interior teor, sem qualquer edição”. Leia, ao final, o documento em que o Supremo confirma o recebimento.
De acordo com Moro, Bolsonaro cobrou em reunião mudanças no comando da Polícia Federal (PF). Advocacia Geral da União (AGU) tinhad pedido para entregar somente parte do material, mas informou, nesta sexta, que entregou material completo.
O ministro Celso de Mello tinha dado 72 horas para o governo entregar a gravação. Nesta sexta-feira, o ministro também pediu que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestasse sobre a gravação, dando prazo de 24 horas para o envio do parecer.
Moro anunciou sua demissão do cargo no dia 24 de abril. Na ocasião, acusou Bolsonaro de tentar interferir na PF. Após as declarações, a PGR pediu, e o STF abriu um inquérito para investigar as acusações. O presidente nega ter cometido irregularidades.
Em depoimento, prestado à PF no sábado passado (2/5), o ex-ministro disse que, na reunião do conselho de ministros de 22 de abril, Bolsonaro cobrou a substituição do superintendente da PF no Rio de Janeiro e do então diretor-geral da PF, Maurício Valeixo, além relatórios de inteligência e informação da PF.
Essa teria sido a gota d’água para Moro, que decidiu pedir a demissão.
Antes de entregar os registros da reunião citada por Moro, a AGU chegou a pedir a Celso de Mello que reconsiderasse a ordem dada ao governo para encaminhar o material à Corte. Também solicitou que somente uma parte dos registros, que tivessem relação com o inquérito, fosse disponibilizada. Pediu, ainda, ao STF que estabelecesse previamente as autoridades responsáveis pela guarda do material.
Nos pedidos, o ministro da AGU, José Levi Mello do Amaral Junior, argumentou que, na reunião de 22 de abril, “foram tratados assuntos potencialmente sensíveis e reservados de Estado, inclusive de relações exteriores, entre outros”.
Ao fazer o pedido ao STF, a AGU, indiretamente, reconheceu a existência do vídeo.
No dia 28 de abril, Bolsonaro fez menção ao vídeo. Ele disse a jornalistas que tinha pedido autorização dos ministros que participaram da reunião para divulgar o conteúdo.
“Eu comecei hoje a reunião de ministros pedindo uma autorização para eles, porque a nossa reunião é filmada. E fica no cofre lá, o chip. Eu falei ‘senhores ministros, eu posso divulgar o que eu falei na última reunião de ministros?’. Ninguém foi contra. Eu falei, tá certo”, disse o presidente na ocasião.
Em documento, o STF registra o recebimento do material e informa que o HD entregue pelo governo federal apresenta “inteiro teor, sem qualquer edição”. Veja, abaixo, imagem do documento.

Fonte: G1
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