
Ferramenta colaborativa da Ufam e UFPR mapeia casos e estima subnotificações de Covid-19. Foto: Altemar Alcântara/Semcom
A Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e a Universidade Federal do Paraná (UFPR) criaram uma ferramenta que mapeia casos de Covid-19 estima subnotificações da doença, que é causada pelo novo coronavírus. A Colabcovidbr é baseada em informações anônimas, colaborativas e construída a partir de dados de localização.
Segundo a Ufam, a ideia é diagnosticar as subnotificações de casos e óbitos relacionados à Covid-19. De acordo com André Mendonça, professor ligado ao Departamento de Ciências Florestais (DCF) da Ufam, e um dos coordenadores da pesquisa, a ação foi proposta pelo Subcomitê de Enfrentamento à Covid-19 formado pela Faculdade de Ciências Agrárias (FCA) e Centro de Ciências do Ambiente (CCA).
“O mapeamento colaborativo é uma importante ferramenta em um contexto de subnotificações. O site tem dois tipos de cadastros: casos de doenças e casos de óbitos. Não é necessária nenhuma inserção de informações pessoais. O questionário não é público e pede que seja explicitada uma identificação para evitar duplicação”, disse o professor.
André Mendonça explicou quais informações são solicitadas pela plataforma Colabcovidbr. “Além da identificação do local, que é randomizado em até 100 metros, o cadastro pede informações sobre isolamento, internação e o usuário pode comentar o que desejar sobre o caso, mas sem obrigatoriedade”, disse.
Segundo o professor, todas as perguntas e estratégia de divulgação foram pensadas para fornecerem conhecimento científico sobre a utilização e eventuais benefícios desse tipo de ferramenta. “O usuário pode escolher o que quer tornar público, mas, em geral, o que interessa é uma localização aproximada e o quantitativo, e, se possível, uma ideia sobre o isolamento e a utilização do sistema hospitalar”, esclareceu.
O professor lembrou que os dados são moderados pelos próprios pesquisadores envolvidos, já que o objetivo é quantificar e qualificar casos. “Esse tipo de ferramenta pode ser uma evidência de que, de fato, exista essa subnotificação, aliada, por exemplo, à comparação entre registros de funerárias atuais e no mesmo período do ano passado”, disse.
De acordo com Mendonça, a cartografia colaborativa já é realidade em outros tipos de emergências, e tem cumprido papel importante em situações do tipo em outras partes do mundo. “A ideia não é que essas ferramentas substituam às informações oficiais, mas que sejam um complemento para o total entendimento de várias questões sociais acerca da pandemia”, enfatizou.
A plataforma é um projeto da Ushahidi, organização queniana que trabalha no empoderamento de comunidades por meio de ações colaborativas, e é uma adaptação do produto para o cadastro de casos de Covid-19 no Brasil, especialmente em Manaus.