
Bolsonaro descarta intervenção na saúde do Amazonas, após conversa de ministro com governador. Foto: Marcos Corrêa/PR
O presidente Jair Bolsonaro descartou intervenção na saúde do Amazonas, após receber o pedido da Assembleia Legislativa. O porta-voz da indicação foi o senador Eduardo Braga (PMDB-AM). Conversa do ministro Luiz Eduardo Ramos, da Secretaria de Governo, com o governador Wilson Lima, no entanto, descartou a decisão.
O pedido foi aprovado em sessão virtual pela Assembleia, com 13 votos a favor e apenas 1 contra. As imagens de cova coletiva, aberta no maior cemitério de Manaus, o Parque Tarumã, ganharam o mundo. A crise de Covid-19 afeta duramente o Amazonas.
Luiz Eduardo chegou a falar de ações que o Governo Federal tomaria, para ajudar o Estado, com a intervenção. O governador, ainda assim, julgou que ela não seria necessária.
Braga disse que o Amazonas não tem condição de sair do isolamento e pediu mais ajuda do Governo Federal. Na condição de líder do MDB, ele tem trabalhado com o colegiado de líderes pedindo cooperação.
Braga foi a Bolsonaro com o presidente nacional do partido, Baleia Rossi (SP). Este deixou o encontro falando em “pacto nacional contra o coronavírus”. Seria reunião entre Executivo, Legislativo e Judiciário.
Braga e Baleia pediram que Bolsonaro sancione projeto que libera R$ 2 bilhões para Santas Casas e outras instituições filantrópicas. E pediram até a criação de uma Força Nacional de Saúde, nos moldes da Força Nacional de Segurança.
O governo Federal prometeu enviar para o Amazonas 83 médicos intensivistas, com experiência. A promessa, porém, feita ainda na gestão de Luiz Henrique Mandetta, está demorando a ser concretizada.
A recusa de Bolsonaro em intervir na saúde do Amazonas foi uma vitória política de Wilson Lima, em momento difícil. A Assembleia acaba de protocolar um pedido de impeachment do Sindicato dos Médicos O presidente da Casa, Josué Neto, que foi o autor do pedido de intervenção federal na saúde, ainda não se manifestou sobre o impeachment.
O governador tem ampliado as articulações. Ele teria conversado com os médicos e prometido pagar, até esta quinta (23/04), os salários de fevereiro. No começo de maio seria pago março e abril até o fim daquele mês. Também em maio seria paga meia competência do governo Amazonino Mendes.
Wilson Lima estaria planejando fechar o semestre com os salários atualizados das cooperativas médicas. Isso seria inédito, desde o final do governo José Melo. Os profissionais de saúde, linha de frente do enfrentamento ao Covid-19, estão sendo duramente atingidos.
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