
Policiais envolvidos no Caso Wallace, que resultou no seriado da Netflix “Bandidos na TV”, está de volta com a condenação de quatro policiais e um feirante envolvido, pela juíza Rosália Sarmento (foto)
O Caso Wallace, aquele transformado no seriado “Bandidos na TV”, da Netflix, ainda continua. A juíza da da 2ª Vara Especializada em Crimes de Uso e Tráfico de Entorpecentes (2ª Vecute), Rosália Guimarães Sarmento, acaba de condenar quatro policiais envolvidos nos crimes. Eles são Jerônimo Martins da Silva Filho, Arthur Pereira Lima, Valdick da Silva Hernandes e Raimundo Acatuassu Dantas da Costa. Foi na Ação Criminal nº 0217453-09.2018.8.04.0001 e ainda há ações do caso pendentes de julgamento.
Os quatro condenados foram presos na Operação Espinhel, da Polícia Civil (PC) amazonense. Os crimes praticados pelos policiais foram de associação para o tráfico de drogas e corrupção passiva. Jerônimo, Acatuassu, Arthur e Valdick foram condenados a 14 anos de reclusão, cada, em regime fechado. A magistrada decidiu que os quatro perdem os cargos na PC.
Valdick e Acatuaçu trabalhavam na Delegacia de Repressão a Entorpecentes (Depre). Jerônimo era do 15º Departamento Integrado de Polícia (DIP), no conjunto Nova Cidade. Arthur trabalhava no 11º DIP, no Coroado.
Rosália Sarmento condenou, no mesmo processo, o feirante Edmilson Lopes Gonçalves a 23 anos de prisão em regime fechado. O processo foi desmembramento da Ação Penal nº 0262879-25.2010.8.04.0001. É que esse processo tinha 17 réus envolvidos, decorrentes da Operação Espinhel.
A Operação Espinhel teve início em 2010, por iniciativa da Secretaria Executiva Adjunta de Inteligência (Seai). Por interceptações telefônicas, policiais descobriram que grupos criminosos do tráfico de drogas cooptavam policiais civis. Estes, semanalmente, ligavam para traficantes famosos e combinavam recebimento de propina. O pagamento era feito sempre em dinheiro, em mãos, em dia e hora previamente ajustados.
A ação policial teve origem no Caso Wallace. Polícia Civil e Ministério Público formaram, cada um, força-tarefa para desvendar os crimes. A ponta do novelo foi a prisão em flagrante de Moacir Jorge da Costa, o Moa.
O delegado-geral criou equipe de delegados para investigar as denúncias, que se multiplicaram rapidamente. A suspeita era de que agentes públicos estavam envolvidos com tráfico, os policiais e Wallace Souza, que era deputado estadual.
Várias representações chegaram ao Judiciário e inúmeras escutas telefônicas foram deferidas pelo então titular da 2ª Vecute, Mauro Anthony.
A Operação Espinhel, resultado do trabalho da PC e do MP, ainda se desdobrou em outras investigações. Surgiram as operações Espinhel 1 e Espinhel 2, 40 Graus, Mercúrio e outras. Investigaram vários grupos criminosos que, segundo a inteligência, se alinhavam para o tráfico de drogas e outros crimes correlatos.
O envolvimento dos policiais civis e militares, bem como de Wallace Souza, político influente, ocasionou a Operação Espinhel. Muitos dos envolvidos estavam condenados em primeira instância. O trabalho policial tem resultado em sucessivas condenações e perda de cargos públicos pelos agentes condenados.
Outras ações penais, também desmembradas dessas investigações, ainda estão em tramitação na 2ª Vecute e devem ser sentenciadas brevemente.
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