
Foto: Divulgação
A garagem de casa se transformou em uma sala de aula improvisada. Os métodos de ensino foram adaptados para videoaulas gravadas e postadas no YouTube. Esse foi o meio que a professora da Educação Infantil, Mirloni Rocha Santos, 53, encontrou para continuar ministrando as aulas, em meio ao isolamento Social imposto pela pandemia do novo coronavírus, em Manaus. As aulas lúdicas são para alunos do 1º ano do Ensino Infantil. Ao final do texto, assista a um vídeo que mostra parte de uma de suas aulas.
A educadora conseguiu encontrar na profissão meios de retomar a própria paz, levar esperança, e continuar ensinando seus alunos.
No início do processo de isolamento social, Mirloni também sentiu angústia e medo. Com fé, ela encontrou ânimo e força para enfrentar o desafio de produzir o primeiro vídeo de ensino a distância. No coração, o acalanto, quando recebeu retorno positivo.
Professora Mirloni, como é conhecida, com 30 anos de profissão, atualmente faz parte do corpo de educadores da Secretaria Municipal de Educação (Semed). Ela ministra aulas no Centro Municipal de Educação Infantil Eliakin Rufino, no bairro da União, zona Norte de Manaus.
Por conta do isolamento social, as aulas presenciais estão suspensas em todo o país. Com a necessidade de repassar conteúdo a distância, a professora contou que a decisão de se comunicar via internet foi difícil. Mas, ela decidiu montar métodos, meios e a dinâmica.
Em mais ou menos uma semana, a maioria dos pais já estava comprometida e empenhada em acompanhar as crianças nas atividades. Muitos passaram a compartilhar as aulas com familiares e amigos.
O grupo de mensagens de pais e mestres, que já existia, ajudou na divulgação do trabalho. O canal de comunicação por mensagem de texto também serviu para o envio de orientações acerca das aulas temáticas, envolvendo a participação dos pais e crianças no processo.
“Manter as atividades pelo grupo não me causou estranheza porque os pais já estavam familiarizados. O que mudou, agora, é que os pais que antes optaram por não participar do grupo, hoje estão presentes. Eles servem como mediadores nas atividades que envio, e estão ainda mais conectados afetivamente com a professora e com as próprias crianças, porque as atividades acabam incentivando e proporcionando tempo de qualidade”, disse a professora, empolgada.
As aulas são gravadas pela filha de Mirloni, que sofre com um caso crônico de glaucoma. A jovem já perdeu uma visão e, às vezes, é acometida de severas dores, mesmo após cinco cirurgias. Os vídeos só podem ser gravados se a filha estiver bem, e se não estiver chovendo.
Utilizando diversos adereços, fantasias e painéis coloridos, contação de história e, em alguns casos, música, a professora deixa a aula dinâmica e divertida. Os vídeos duram de 7 minutos a 10 minutos. É tempo suficiente para explicar o assunto e manter a atenção dos pequenos que estão na faixa etária de quatro anos de idade. “As aulas são gravadas na garagem porque a estrutura da minha casa é imprensada”, disse a educadora.
Marloni afirmou que sente as mãos divinas guiando suas atividades. A primeiras aulas foram inspiradas em ensinamentos religiosos recebidos por ela. A partir da vogal ‘I’, os métodos já foram criações próprias.
“As primeiros vídeos das vogais ‘A’ e ‘E’, utilizei o método da Missão Batista da Fé, onde tenho fincado minhas raízes e recebi investimentos em formação. Desenvolvi essa paixão pela Educação, essa maneira de querer fazer as coisas de um modo lúdico, divertido, que casa perfeitamente com a proposta da Semed”, destacou.
Segundo a educadora, a partir de orientação da Secretaria de Educação do Município, a escola deu liberdade para que cada professor ficasse livre para conduzir o seu grupo, de acordo com o seu próprio perfil. Mirloni contou que decidiu manter o padrão que já desenvolvia na escola.
Os vídeos são editados por Yuri Valente Pinheiro, um colaborador do projeto. A aulas são postadas no canal ‘CMEI Eliakin Rufino‘.
Para surpresa dos envolvidos, os vídeos ultrapassaram as fronteiras barés, chegando ao conhecimento de educadores em Fortaleza, São Paulo e Rio de Janeiro. Professores da Educação Infantil visitaram o canal para conhecer a proposta reinventada por Mirloni.
Diante da pandemia, as aulas presenciais não têm previsão de retorno. Enquanto isso, a professora segue ministrando conteúdo on-line. “Não seremos os mesmos após essas experiências. Vamos sair mais fortalecidos e unidos do que nunca. Hoje eles estão presentes na casa da professora e a professora está presente nós lares deles”, ressaltou a professora Mirloni.
Reportagem: David Batista
*Matéria atualizada às 9h30 desta quinta-feira (16), para correção de informações.
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