
Santo Antônio do Içá tem quatro pessoas infectadas pelo novo coronavírus. Foto: Reprodução/Google
A primeira indígena infectada no Amazonas é uma mulher que atua como agente de saúde indígena na área urbana do município de Santo Antônio do Içá. Além dela, outros dois comunitários da cidade também testaram positivo para o novo coronavírus. Segundo a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM), eles tiveram contato com o médico Matheus Feitosa, primeiro caso confirmado em Santo Antônio do Içá. As informações foram repassadas em coletiva on-line nesta quarta-feira (1º).
Atualmente, o Amazonas tem 200 pessoas infectadas pelo novo coronavírus, 21 em cidades do interior.
A FVS-AM informou que, embora atue na saúde indígena, a mulher infectada não atende nas aldeias. “Ela atua na área urbana do município, numa Unidade Básica de Saúde, fazendo atendimento a indígenas, mas na própria sede. Ela não é indígena aldeada”, afirmou a diretora-presidente do órgão, Rosemary Costa Pinto.
O médico Matheus Feitosa, que atende na saúde indígena no Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) do Alto Solimões, divulgou, no dia 25 de março deste ano, que foi contaminado.
Ele contou que acredita ter contraído o vírus durante viagem aos estados de Santa Catarina e Paraná, ou mesmo durante uma viagem de lancha a Santo Antônio do Içá, no Amazonas. Nesta quarta-feira, a diretora-presidente da FVS-AM afirmou que os dois comunitários infectados estiveram na embarcação com o médico.
“Cheguei em Santo Antônio do Içá no dia 18 de março de 2020 [quarta-feira da semana passada], onde até então estava assintomático [sem apresentar sintomas]. Tive um pouco de tosse, onde prontamente fiz o uso de máscara e todos os protocolos de higienização durante meus atendimentos a fim de evitar qualquer contaminação aos meus pacientes”, relatou o médico Matheus Feitosa, no dia 25 de março.
O médico contou que sentiu febre na manhã do dia seguinte, quinta-feira (19 de março), e decidiu se isolar em casa. “Onde estou até hoje, 25 de março de 2020, data do resultado positivo do teste”, afirmou, na ocasião.
“Agradeço a todas as pessoas pela preocupação, que mandaram msg [sic], ligaram e que torcem pela minha saúde. E gostaria de dizer a essas pessoas que eu estou bem! E aos que procuram encontrar culpados, que façam sua parte ficando em casa para que possamos evitar ainda mais a disseminação desse vírus”, disse o médico.
Nesta quarta-feira, a FVS-AM informou que os indígenas pertencem a um subsistema de saúde indígena que não está sob a responsabilidade do estado do Amazonas. “Eles têm uma secretaria no governo federal, dentro do Ministério da Saúde, que é a Secretaria de Saúde Indígena, que é a secretaria responsável por todas as ações de saúde nessa população”, explicou a diretora-presidente do órgão.
De acordo com Rosemary, o Departamento de Saúde Indígena (Desai) tem estrutura, inclusive de vigilância epidemiológica. “Eles têm um plano de contingência. O Desai Alto Solimões tem o seu plano de contingência. Está executando esse plano. Os indígenas aldeados estão sendo instados, orientados e acompanhados para que eles não saiam das suas aldeias, para que eles permaneçam isolados”, destacou a infectologista.
Rosemary disse, ainda, que enquanto Vigilância do Estado, a FVS-AM recebe as notificações. “Mas, as medidas de controle são executadas pelos Distritos Sanitários Indígenas, ligados ao governo federal. Portanto, as ações em áreas indígenas, estão sendo executadas pela Secretaria de Saúde Indígena através dos Distritos Sanitários Indígenas”, reiterou.
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