08/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Foto de enterro de músico chama atenção pelo isolamento e vai parar em jornal americano

Publicado em 01 de abril, 2020

Foto de enterro de músico chama atenção pelo isolamento e vai parar em jornal americano

Foto de enterro de músico chama atenção pelo isolamento e vai parar em jornal americano. Fotos: Edmar Barros

“Já tinha registrado muitos enterros, de muitas tragédias, mas como o de hoje não. Foi triste ver os familiares e amigos do músico Binho Lopes acompanharem o enterro de longe. Nunca tinha visto funcionários da funerária rezarem juntos com a família, e esse momento foi comovente.”

Esse é o depoimento do fotógrafo amazonense Edmar Barros, horas após fazer o registro do enterro do músico de 43 anos, uma das vítimas fatais do coronavírus em Manaus. Ele morreu na segunda-feira (30).

Foto de enterro

As imagens do funeral feitas pelo fotógrafo ganharam repercussão nos principais jornais do mundo, como o Daily News, nos Estados Unidos, no Texas. Diferente de um sepultamento tradicional, onde as pessoas aproveitam os últimos momentos para se despedir de um ente querido, o enterro do músico foi marcado pela distância entre as pessoas e o caixão, solidão, oração e tristeza.

“O enterro foi diferente. Pelo que soube o músico era muito conhecido e querido, mas no cemitério tinha no máximo 15 a 20 pessoas, cada uma mantendo cerca de 3 ou 4 metros de distância umas das outras. Ninguém se abraçava. Todos estavam longe do caixão. Isso me chamou muita atenção por ser diferente de tudo aquilo que eu já tinha feito”, disse Barros.

Rotinas

O Covid-19 vem mudando a rotina das pessoas no mundo. O pedido de quarentena (isolamento social), além de várias outras precauções de segurança orientadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), promovem esse distanciamento entre pessoas, que estão se adaptando a uma pandemia.

“Normalmente nos enterros, as pessoas fazem um círculo em volta do caixão, muitas vezes até abrem o mesmo. Desta vez não. Quando cheguei no local, ainda estavam cavando a cova. O que me chamou muita atenção foi que durante a oração de despedida, agentes funerários, que normalmente estão acostumados a ver muitas mortes por conta da profissão, rezaram junto com os poucos parentes”, disse o fotógrafo.

Recomendação

De acordo com diretora presidente da FVS-AM, Rosemary Pinto, para enterro e cremação dos corpos será adotado o protocolo do Ministério da Saúde.

Em caso de enterro não haverá velório. Mas as recomendações é que não seja um grupo maior de 10 pessoas. Portanto a duração do funeral é de no máximo 1 hora. Além disso, é necessário a utilização de máscaras e álcool em gel 70.  Outra medida é a de manter distância de 2m entre os presentes no local.

Fotografia

Edmar Barros nasceu no município de Lábrea (distante 852 quilômetros de Manaus). Fotógrafo há 22 anos, há 15 anos exerce a profissão de fotojornalista. Atualmente é correspondente da Agência Nacional Futura Press e da agência internacional Associated Press. Dentre trabalhos relevantes mais recentes o fotógrafo cobriu os massacres no sistema prisional de Manaus, a desocupação Monte Horebe, o incêndio no bairro de Educandos, a crise venezuelana n fronteira e o desastre em Brumadinho (MG).

O músico

“O processo de enterrar uma pessoa amada é muito complicado, muito dolorido, o coração sangra. Do jeito que foi, a gente sem poder se despedir com o costume, sem ao menos poder segurar a alça do caixão, foi desesperador para família. É um sentimento estranho e difícil de mensurar”, disse a sobrinha de Binho, Talytha Noronha.

O tecladista Binho Lopes, da Banda Joy, morreu em Manaus em decorrência de complicações do novo coronavírus. Ele estava internado no Hospital e Pronto-Socorro Delphina Aziz. A morte de Binho foi segunda por Covid-19 no Amazonas. A Banda Joy é conhecida na capital por fazer apresentações em bailes, casamentos e outros tipos de eventos.

O histórico de Binho Lopes relata que ele desenvolvia trabalhos paralelos de produção, direção, gravação de CDs e DVDs de vários artistas, além de espetáculos musicais em Manaus. Também informava que ele atuou como pianista e regente do coral Econorte do Centro Universitário do Norte (Uninorte).

Reportagem: David Batista

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