22/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Após declarações de presidente, Wilson Lima diz que não vai recuar de proteger população

Publicado em 25 de março, 2020

Após declarações de presidente, Wilson Lima diz que não vai recuar de proteger população

Após declarações de presidente, Wilson Lima diz que não vai recuar de proteger população. Foto: Reprodução

Após as declarações feitas em rede nacional, na noite desta terça-feira (24), pelo presidente da República Jair Bolsonaro, pedindo que o país volte à normalidade, mesmo com a circulação e alto risco de propagação do coronavírus (Covid-19), o governador do Estado do Amazonas, Wilson Lima, afirmou que irá manter o decreto restritivo assinado por ele na última segunda-feira (23), quando o Amazonas entrou em estado de calamidade pública.

Após declarações

A declaração do governador foi por meio de um vídeo, divulgado em suas redes sociais, horas após o pronunciamento no qual o presidente criticou o confinamento e pediu a reabertura dos comércios na federação, indo na contramão do resto do País e do mundo.

“A minha posição é muito clara. Não vamos voltar a atrás de nenhuma decisão que foi tomada pelo Governo do Amazonas. Elas foram tomadas de maneira responsável e seguindo o protocolo estabelecido pelo Ministério da Saúde do Governo Federal. Eu fui eleito para defender e proteger o povo do Amazonas e é assim que vou continuar agindo”, disse Wilson Lima.

O pronunciamento de Jair Bolsonaro contra o confinamento em massa refletiu negativamente nos setores da saúde e da política, gerando críticas pesadas ao presidente. Durante seu discurso, ele chamou de exagero a ação de confinamento, além de tentar jogar a culpa para a imprensa. Bolsonaro voltou a ser referir ao Covid-19, que provocou uma pandemia, como uma “gripezinha”.

Ações de contenção

Dentre as ações de contenção do vírus, e com o objetivo de manter as pessoas dentro de suas casas, na segunda-feira o governador decretou estado de calamidade pública no Amazonas.

O governo vem adotando medidas como proibição de transportes de passageiros em barcos indo ou vindo do interior e demais regiões do Estado; fechamento do comércio, com ressalvas para aqueles serviços essenciais, incluindo  supermercados, farmácias e clínicas de saúde para atendimentos apenas de emergência. As escolas; serviços da repartição públicas e circulação de veículos pelas rodovias estaduais estão suspensos por um período mínimo de 15 dias.

Cidade

Quem anda pela cidade esses dias encontrou um clima bastante diferente do habitual. Lojas fechadas, avenidas de grande circulação de veículos quase desertas, ônibus do transporte coletivo vazios, além é claro, do receio de aproximação entre as pessoas.

Apesar de todas as restrições por parte do governo estadual e orientações repassadas inclusive pela própria Organização Mundial da Saúde (OMS), a circulação de pessoas nas vias, em alguns pontos da capital, ainda é muito intensa.

Quem anda pelo Centro e zonas de comércio em Manaus encontra movimento normal. Em algumas agências bancárias há filas do lado de fora, causando aglomerações de pessoas.

Nas periferias, em alguns pequenos supermercados a cena é a mesma. “A gente nunca sabe o risco que está correndo. Uma hora a doença não mata, outra ela só mata velho. Na verdade é que precisamos comer e viver”, disse José Fernandes, 54, em uma das filas, ao ser questionado se tinha medo de contrair a infecção.

Feirantes

Nas feiras, o clima de insatisfação por parte dos comerciantes é intensa. O baixo movimento e as restrições impostas vem afetando diretamente o comércio e circulação de capital em todo Estado. Algumas lojas ainda mais resistentes, para não ficarem totalmente no prejuízo, resolveram atender a porta fechadas. Muito recebem pedidos pelo telefone. Os serviços de delivery estão mantidos, desde que lojas e empresas se adequem ao mesmo.

As forças de segurança, em parceria com agentes da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS), tem feito rondas em toda capital para fiscalizar se as restrições estão sendo executadas.

De acordo com último boletim epidemiológico Manaus tem 1 morte por Covid-19, 46 casos confirmados, sendo que 42 em isolamento social, quatro estão internados e 15 em investigação.

Reportagem: David Batista

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