
Lagos urbanos precisam de mobilização da comunidade. No lago da Carbrás (foto) a poluição tem vencido o esforço dos moradores
Manoel Ademar Pinheiro Neto, o Mazinho da Carbrás, exibe, entre penalizado e indignado, peixes mortos no lago da comunidade. São pirarucus, tambaquis, matrinchãs, tamuatás, carás, entre outros, que sucumbiram à poluição no lago da Carbrás. Do outro lado da cidade, a família Castro exibe orgulhosamente o lago do Acariquara, preservado, mata ciliar pujante, água limpa. É o contraste entre dois mundos, urbanos, onde densidade populacional e consciência ambiental se confundem.
Mazinho, chamado de louco pela comunidade do Parque São Pedro (invasão da Carbrás), melhorou a consciência ambiental. Antes, num esforço admirável, percorria o lago, remando, em pedaços de isopar, retirando garrafas pets, fraldas descartáveis e até absorventes.
A poluição persiste e Mazinho exibe a razão da morte do pequeno pirarucu: ficou sufocado ao ingerir uma sacola plástica de supermercado. A denúncia, desta vez, não é solitária. Um pastor e diversos outros comunitários compartilham a indignação.
Veja o vídeo do lago da Carbrás (Parque São Pedro):
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O lago do Acariquara, localizado em frente ao hospital e Pronto-Socorro João Lúcio, virou espécie de “xodó” dos moradores. Cada um procura fazer sua parte para preservá-lo. “Uma chuva rompeu a barragem e os peixes desceram, riacho abaixo. Eram tambaquis, matrinxãs, tucunarés etc. A gente já matou uma sucuri de quase cinco metros, que saiu daí. Está quase 100% preservado”, diz outro morador.
Veja, abaixo, dois vídeos mostrando o lago. O segundo tem cerca de 5 minutos e mostra diversos momentos. O primeiro foi feito num dia de sol, com melhor visibilidade:
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Os dois lagos viveram histórias diferentes. O do Acariquara nasceu de uma experiência do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). O trabalho dos pesquisadores foi acompanhado de perto pelo Instituto Nacional de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Ibama). Depois que eles saíram, a comunidade adotou o curso d’água.
O Parque São Pedro pertencia a Carlos Alberto Barros da Silva, Carlinhos da Carbrás, ex-deputado federal e ex-prefeito de Parintins. Ele mantinha ali um plantel com dezenas de milhares de espécimes de peixes. Essa era característica de vários terrenos que possuía, espalhados pela cidade, objetos de orgulho e verdadeiro ciúme de Carbrás.
O local era uma floresta, com muro alto de alvenaria, cercada, preservada. O lago tinha águas cristalinas, com cinco nascentes próprias. Mais de 10 mil tambaquis com mais de dez quilos, centenas de pirarucus adultos, tartarugas e tracajás viviam no local. E foram, quase todos, consumidos nos primeiros dias da invasão.
Invasores arrombaram o muro, pela lado do bairro Campos Sales, e entraram no local, derrubando as árvores para construir moradias. A invasão logo se tornou gigantesca. Um dos balanços mais recentes chega a apontar 16 mil moradias no local.
Carbrás tinha dívidas de IPTU e INSS. Dívidas grandes. O ex-prefeito Serafim Corrêa (2005-2008) conseguiu compor os débitos e a partir deles desapropriou as terras. Foi aí que a Invasão da Carbrás passou a se tornar o bairro Parque São Pedro.
O lago sofreu com tudo isso. Quase se perde. Sobreviveu graças ao esforço de Mazinho e seus acompanhantes. Os “loucos” preservacionistas do Parque São Pedro (Carbrás).
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