Conheça artistas parintinenses que fazem carnaval no RJ, SP, AM, ES e SC

Conheça artistas parintinenses que fazem carnaval

Conheça artistas parintinenses que fazem carnaval nos principais centros brasileiros. Eles nem cabem na foto😅. Fotos e reportagem: Josene Araújo/ caldeirada.com.br

COM INFORMAÇÕES DE JOSENE ARAÚJO/ caldeirada.com.br

Reza a lenda que Jairzinho, filho de Jair Mendes, estava trabalhando no barracão da Portela, fazendo esculturas e alegorias. A diretoria queria dar movimento à grande águia, abre-alas tradicional da escola. Chamou técnicos de Walt Disney, mas o orçamento ficou caríssimo e o tempo exíguo. Desistiram. Foi quando Jairzinho pediu a chance para fazer o trabalho, com sua equipe. Em poucos dias, pela primeira vez na história, a águia abriu as asas sobre o Carnaval Carioca. Estava consagrado o caminho para os parintinenses, que o próprio Jair Mendes e Juarez Lima haviam aberto anos antes.

Hoje não existe escola paulista ou carioca, no Grupo Especial, que não tenha artista de Parintins. Nem Mangueira, Beija-Flor, Salgueiro, Império, Vila Isabel… E essa história vai longe.

 

Cariocas, todos em casa

No RJ, os artistas parintinenses estão em casa. “Eu tocava surdo, meu instrumento preferido, nos intervalos, no ritmo de boi. O pessoal do samba vinha se juntar. Ficavam admirados. Gostavam muito”, explica Juarez Lima, um dos pioneiros no carnaval carioca.

Este ano, Algles Ferreira e Gereca Pantoja estarão na União da Ilha do Governador. Kennedy Prata é do Salgueiro. Glemberg Castro e João Ferdinando Guimarães Vieira, o Carivardo (que é uma equipe de sete) estão consagrados e permanecem na Beija-Flor. Juscelino Ribeiro e Alex Salvador estão na Vila Isabel. Estevão Gomes comanda a Unidos da Tijuca.

 

Paulistas: Parintins só a passeio

Joinha Marinho, por exemplo, foi ficando, ficando e hoje mora há 22 anos em São Paulo, com a família. Passando de escola em escola, o artista descobriu que pode sobreviver da arte, na capital e em cidades próximas. Só vai a Parintins para renovar as energias, a passeio, na época do Festival Folclórico. Ele divide o carnaval da Nenê de Vila Matilde (“O presente da deusa e o brinde da água”) com outro parintinense, Zilkson Reis.

O apelo parintinense é tão intenso que a paulista Escola de Samba do Terceiro Milênio foi direto ao ponto. O enrêdo “No coração da floresta nascem estrelas que brilham no meu Carnaval” recebe o desfile de 50 artistas parintinenses. Quem comanda? O parintinense carnavalesco Murilo Lobo.

Márcio Gonçalves, do Caprichoso e da Mocidade Alegre, tem equipe de 35 parintinenses na escola. São 15 anos em São Paulo e quatro títulos conquistados.

Ney Meireles está perto da aposentadoria no carnaval paulistano. Ele tem 20 anos na Império da Casa Verde e leva equipe de 17 pessoas, entre os quais o consagrado escultor Nonoca Alfaia.

A Águia de Ouro (SP) pegou logo uma penca de artistas tupinambaranos. Estão lá Rel Tavares, Marlúcio Pereira, Andrey Lima, Kednice, Vitor Macedo, Diego “Pai da Mata”, Merenda, Nelson, Cirene, Penha e Evelin Robertinho.

Aguinaldo Souza, do Boi Garantido, comanda os artistas da Acadêmicos do Tatuapé (SP). Levou consigo serralheiros, escultores, aderecistas, pasteladores.

Fabson Rodrigues se muda em julho para SP, levando equipe, para criar os figurinos pilotos da Mocidade Alegre. Márcio Gonçalves e Neto Barbosa fazem, com ele, as esculturas e pinturas.

A campeã paulista atual, Mancha Verde, ganhou o título de 2019 com Lenilson Bentes, o Mag, Eliandro Tavares e Ed Dudde, repetindo o trio em 2020.

A invasão parintinense é tamanha que tem gente acumulando trabalho. Alfraney Cruz elabora fantasias para a Águia de Ouro e a Rosas de Ouro.

Até o ritmo do samba-enredo tem tons parintinenses. O enrêdo “Batuques para um rei coroado”, que promete viajar pelos ritmos brasileiros, terá parintinenses. Representantes da Marujada (Caprichoso) e Batucada (Garantido) estarão lá, como o caso do vermelho peara Marcelo Bilela.

 

Manaus, Floripa e Vitória

Em Manaus, a Vitória Régia homenageia o falecido aderecista Werner Botelho, sob a batuta do parintinense Glaucivan. Werner (“O mago das penas”) tinha 33 anos trabalhando no Festival de Parintins e 39 de arte.

Robson Nunes e equipes estão desbravando fronteiras. Eles fazem o carnaval da capixaba Mocidade Unida da Glória, em Vitória (ES).

A capital catarinense tem Vitor Parintins, que mora na cidade há cinco anos e é diretor de alegoria. Ele leva para Florianópolis parintinenses como Jota Cardoso, irmão de Makoy Cardoso, adensando a União da Ilha da Magia.

 

CarnaIlha e Carnaboi

É tanta gente que sai, que falta mão-de-obra em eventos locais, como Carnaboi (Manaus) e CarnaIlha (Parintins), certo? Errado. É a oportunidade agarrada com unhas e dentes por uma legião de novos artistas que esperam ansiosamente o momento. O CarnaIlha, por exemplo, é berçario de Caprichoso e Garantido, renovado ano após ano.

Terminou? A matéria sim. A relação dos artistas parintinenses espalhados pelo carnaval do Brasil não. Sem nenhuma pavulagem? É porruda.

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