
Pesquisadoras da Fcecon. Foto: Rhyvia Araújo/FCecon
A Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon) conta com 91 mulheres cadastradas no Departamento de Ensino e Pesquisa (DEP), que se dedicam à pesquisa científica. A coordenadora do Comitê de Ética em Pesquisa (CEP/FCecon), Lia Mizobe, destacou que datas como o Dia Internacional de Mulheres e Meninas na Ciência, celebrado na última terça-feira (11/2), têm contribuído para incentivar o acesso feminino à carreira científica.
Mayse Monteiro, de 52 anos, é uma das 91 mulheres na FCecon que divide parte de seu tempo entre a assistência à saúde e a pesquisa. Enfermeira formada pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), com especialização em Saúde Pública e em Epidemiologia, há nove anos trabalha na unidade hospitalar. Ela contou que já trabalhou como gerente do Ambulatório (2013 a 2016) e atualmente atua no 8º andar do hospital.
De acordo com Mayse, o mundo acadêmico e científico lhe foi apresentado por outra mulher: sua mãe, que foi professora e diretora de escola pública quando o Estado do Tocantins ainda era território. “Sempre tive o sonho de enveredar por esse caminho e, graças ao exemplo, atualmente faço mestrado em Ciências Aplicadas em Dermatologia. Trata-se de uma parceria entre a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e a Fundação Alfredo da Matta (Fuam)”, comemorou.

Enfermeira da FCecon, Mayse Monteiro realiza mestrado em Ciências Aplicadas em Dermatologia. Foto: Rhyvia Araúj/FCecon
O Dia Internacional de Mulheres e Meninas na Ciência foi aprovado pela Assembleia da Organização das Nações Unidas (ONU) em 22 de dezembro de 2015, para promover o acesso integral e igualitário de mulheres e meninas na ciência. As ações são lideradas pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e pela ONU Mulheres, em colaboração com instituições e parceiros da sociedade civil.
Quando Mayse iniciou a graduação em 1985, não havia tanto incentivo à pesquisa científica. Segundo ela, atualmente há, por exemplo, o Programa de Apoio à Iniciação Científica (Paic/FCecon) voltado à inserção de jovens na ciência. “São apresentados trabalhos promissores e com rigor científico, como na área de odontologia com a aplicação de laser na diminuição de inflamações na mucosa da boca”, destacou.
Mizobe, que é doutora em Clínica Odontológica pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp-SP), afirmou que na FCecon há mulheres doutoras, mestras e estudantes de iniciação científica, além de mulheres ocupando cargos de direção. “Há números que demonstram o crescimento da participação feminina. No Brasil, 72% dos artigos científicos são assinados pelas mulheres, seja como coautora ou autora principal, conforme a Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI)”, ressaltou.
Conforme Mizobe, a direção do DEP é ocupada por uma mulher – Kátia Luz Torres, que é doutora em Doenças Infecciosas e Parasitárias pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Ela observou que pela primeira vez na FCecon foi ofertado, por meio de concurso público, o cargo de pesquisador, sendo que quatro mulheres foram aprovadas para exercerem, exclusivamente, atividades relacionadas à pesquisa e ao ensino.
Segundo a enfermeira Mayse Monteiro, há liberdade para realizar pesquisa científica na unidade hospitalar, e os resultados de muitos dos trabalhos são voltados a melhorar a assistência à saúde do paciente. “Há o diálogo entre a pesquisa científica e os serviços ofertados à população”, disse.

Lia Mizobe destacou que datas como o Dia Internacional de Mulheres e Meninas na Ciência têm contribuído para incentivar o acesso feminino à carreira científica. Foto: Rhyvia Araújo/FCecon