09/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Após críticas do TCU, Mourão diz que governo pode convocar militares e ceder ao INSS

Publicado em 23 de janeiro, 2020

O presidente em exercício, Hamilton Mourão, disse que o governo pode convocar os militares da reserva e cedê-los ao INSS. Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

O presidente em exercício, Hamilton Mourão, afirmou, nesta quinta-feira (23), que o Ministério da Defesa pode convocar os militares da reserva e cedê-los para o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Na semana passada, o governo anunciou que pretende contratar temporariamente cerca de 7 mil militares da reserva, pagando adicional de 30% na reserva remunerada. No entanto, para o Tribunal de Contas da União (TCU), o governo estaria rompendo o princípio da impessoalidade, ao contratar exclusivamente o grupo militar.

Na avaliação do TCU, em caso de convocação dos militares, não haveria o pagamento do adicional. De acordo com o governo, os militares trabalharia em postos do INSS para reforçar o atendimento nas agências e reduzir o estoque de pedidos de benefícios em atraso.

Nesta quarta, Hamilton Mourão disse que a convocação seria uma alternativa à contratação direta desse pessoal pelo INSS. “Existe forma de fazer sem colocar isso como rompimento da impessoalidade. O Ministério da Defesa convoca e cede, e não coloca diretamente sobre as mãos do INSS. Isso está sendo estudado pelo pessoal da área jurídica. Se for contratar civil, é contrato temporário, é mais caro. Tem que olhar a questão orçamentária”, explicou, ao chegar ao gabinete da Vice-Presidência, no Palácio do Planalto, na tarde desta quinta-feira (23).

De acordo com o vice-presidente, o secretário especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia, Rogério Marinho, está dialogando com o TCU e com a Subchefia de Assuntos Jurídicos (SAJ) da Presidência para ajustar o decreto que deverá trazer as regras de contratação.

Na manhã desta quinta, antes de embarcar para Índia, o presidente Jair Bolsonaro disse que o governo aguarda apenas esse ajuste com o TCU para iniciar o processo. Para o presidente a medida está prevista na legislação e exige menos burocracia que a contratação de civis. “Não é privilegiar militar, até porque não é convocação, é um convite, é a facilidade que nós temos desse tipo de mão de obra”, disse.

De acordo com o Ministério da Economia, caso haja o pagamento do adicional de reserva remunerada para os militares, a medida custará R$ 14,5 milhões por mês ao governo, mas o custo deve ser compensado pela diminuição da correção monetária paga nos benefícios concedidos além do prazo máximo de 45 dias depois do pedido.

A proposta inicial do governo é que os militares sejam treinados em fevereiro e março, devendo começar a trabalhar nos postos em abril. A expectativa é que o acúmulo de processos no INSS caia para próximo de zero até o fim de setembro.

Segundo o governo, entre 2,1 mil e 2,5 mil funcionários do INSS, que hoje trabalham no atendimento presencial, serão remanejados para reforçar a análise dos processos.

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