27/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

David Assayag lembra Arlindo, diz que ainda não quer acreditar e anuncia tributo homenageando amigo

Publicado em 02 de janeiro, 2020

David Assayag lembra Arlindo

David Assayag lembra Arlindo, falecido no domingo (29/12). Na foto, ele se emociona na apresentação do amigo no Festival 2019. Foto: Euzivaldo Queiroz/ A Crítica

David Assayag, levantador oficial do Caprichoso, estava no palco quando soube do falecimento de Arlindo Jr. “Estava cantando ‘Catedral Esmeralda’, sucesso na voz dele, quando o Petro Velho me deu a notícia. Foi um choque”, disse. O cantor fará tributo ao amigo, com três horas de músicas, no Centro de Convenções Vasco Vasques, dia 18/01. “Sempre faço festa no meu aniversário – tem 51 anos, como Arlindo, e fará 52 dia 24/01 – e agora faremos esse tributo”, revela.

David lembra que começou na toada ao lado de Arlindo. “Nós fizemos aquele vinil, em 1988, no Caprichoso. Eu, Arlindo e Rei. Depois fundamos o ‘Canto da Mata’, com o Neil (Armstrong)”, lembra.

O intérprete revela que tentou ficar no Caprichoso e, em 1994, saiu porque não havia espaço para ele e Arlindo no bumbá. “O Arlindo era o Pop e sempre foi demais. A partir daí, viramos adversários”, conta. ‘Pero no mucho’: “Por trás dos panos, sempre fomos amigos. A gente até se ofendia, no auge da briga, e depois ríamos juntos”, revela.

O “Imperador” do Caprichoso, que já foi o “Rei David”, no Garantido, recorda o momento mais difícil da disputa com o Pop. “Esse negócio teatral, que tentam fazer agora, com Sebastião (Jr.), ele fazia muito melhor, há mais de 20 anos. Teve um ano, quando foi apresentador e levantador, que ele fez e aconteceu. Estava impossível. Foi o único ano em que me ganhou”, relembra.

Veja, a seguir, a íntegra da entrevista de David Assayag:

Portal do Marcos Santos – Como está esse dia seguinte, sem Arlindo Jr.?

David Assayag – Pois é, a gente ainda não quer acreditar. Todos sabíamos que ele estava há três anos lutando. Mesmo com a doença avançada, não parou de lutar. Foi um cara diferenciado e nós temos que ser gratos por tudo que fez pela nossa festa.

 

pms.am – Como foi essa história de ter um adversário que também era amigo?

David – Nós começamos juntos, em 1988, naquele vinil que fizemos na Associação Comercial de Parintins, para o Caprichoso. Éramos eu, Rei e Arlindo. Tanto que o espaço ficou muito pequeno para nós dois dentro do Caprichoso. O Arlindo era o Pop e sempre foi demais. O Caprichoso optou por ele, naquela época. Resisti, até 1994, e aí fui pro Garantido. Fundamos, antes, o Canto da Mata, eu, Arlindo e Neil (Armstrong). Em 1994, viramos adversários, mas, por trás dos panos, sempre fomos amigos. Na frente dos outros, a gente até se ofendia, por causa da rivalidade das galeras (risos). Mas era sem destruição de ninguém e depois a gente ficava rindo das brincadeiras. Nunca tivemos uma discussão mais séria.

 

pms.am – Como foi enfrentar o Arlindo na arena?

David – O Arlindo sempre teve um trunfo na mão, que era o fato de ser ator. O que fazem hoje, em matéria de encenação, com o Sebastião Jr., o Arlindo fazia muito melhor, 20 anos atrás. Era difícil a disputa porque ele fazia muita coisa. Eu me baseava muito nos quesitos do item, afinação, dicção, extensão vocal, timbre… Eu procurava dar o máximo nisso, para enfrentar a versatilidade e teatralidade dele. Era difícil. Foram bons duelos. Tive o privilégio de conhecê-lo e disputar com ele uma disputa sempre sadia.

 

pms.am – Quando foi o momento mais difícil para você, nessa briga pelo item levantador de toadas?

David – Quando ele foi apresentador e levantador. Ali ele fez o escangalho. Acho que foi no “Pesadelo dos Navegantes”. O cara era invocado. Um Pop.

 

pms.am – Arlindo teve também algumas brigas e, quando descobriu a doença, promoveu reconciliações. Você soube disso?

David – Sim. Ele chegou a brigar com Sinny (Lopes), numa campanha eleitoral. Depois fizeram as pazes. Chamou também o Edilson Santana, quando começou a doença, lá na Samel. Pediu perdão a muita gente.

 

pms.am – Como você recebeu a notícia da morte dele?

David – Eu estava no palco e o Petro Velho (Juliano Petro Velho), ex-vereador, que me deu a notícia. Foi um choque. A gente sabia que ele estava mal na Samel, mas pensava que ele ia sair dessa. Era um cara forte. Foi uma surpresa muito grande. Eu estava cantando músicas que ele cantava, incrível!. Estava na hora de “Catedral Esmeralda”, um sucesso na voz dele.

 

pms.am – Você está preparando um tributo musical para o Arlindo? Como será?

David – Eu sempre faço algo para comemorar meu aniversário (24/01) com o público. Desta vez, no dia 18 de janeiro, vou fazer um tributo ao Arlindo Jr., no (Centro de Convenções) Vasco Vasques (Manaus). Um repertório só de músicas que foram eternizadas na voz dele, desde a década de 1990. E se tiver alguma coisa nova, a gente leva também porque os compositores foram impactados pelo momento. Serão três horas de homenagem. São músicas que lembram muito ele e contaremos com vários convidados.

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