
Sotero é condenado a 30 anos por morte de Wilson Justo
O delegado da Polícia Civil Gustavo de Castro Sotero, foi condenado a 30 anos e dois meses de prisão pelo homicídio do advogado Wilson Justo Filho e tentativa de homicídio contra Fabíola Rodrigues Pinto de Oliveira (esposa de Wilson), Maurício Carvalho Rocha e Yuri José Paiva Dácio de Souza.
O crime ocorreu no dia 25 de novembro de 2017, em uma casa de show localizada na zona Oeste de Manaus.
A condenação ocorreu após três dias de julgamento, com intenso atrito entre defesa e acusação, apresentação de provas testemunhais e periciais. Hoje Sotero falou pela primeira vez ao júri popular e foi às lágrimas.
O Conselho de Sentença do Tribunal do Júri de Manaus reconheceu que Sotero cometeu homicídio privilegiado com duas qualificadoras, meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa da vítima. O motivo fútil foi negado.
Sobre as acusações de tentativa de homicídio, o conselho de sentença reconheceu que Sotero não cometeu tentativa de homicídio contra Fabíola Rodrigues e Yuri José Paiva .
Neste caso Sotero foi condenado por lesão corporal. O conselho de sentença reconheceu a tentativa de homicídio contra Mauricio Carvalho Rocha.
Sotero diante do juiz
Nos vídeos disponibilizados pelo Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), Sotero diz e repete que “infelizmente não queria isso (aquele final, com as mortes), ter que reagir a essa injusta agressão neste dia triste”.
O julgamento acontece no Fórum Ministro Henoch Reis, sendo presidido pelo juiz Celso Souza de Paula. Após os debates, ocorrem as etapas de quesitação e prolatação da sentença.
Sentença
O Conselho de Sentença é formado por sete jurados (5 homens e duas mulheres). O Ministério Público do Estado do Amazonas está representado pelo promotor de justiça George Pestana. A defesa do réu está sendo feita pelo advogado Cláudio Dalledone.
Na sessão do Tribunal do Júri, 14 testemunhas, de defesa e de acusação, estavam na pauta e foram ouvidas, além de três vítimas. Para o júri, também foram convocados dois peritos.
Emoção
Às lágrimas, o delegado reafirmou a tese de legítima defesa e que apenas reagiu a um golpe na fatídica noite.
“Eu só lembro de pegar o soco e ver pessoas vindo na minha direção, em algo que durou dois, três segundos. Foi para salvar a minha vida”, disse o réu.
Chorando muito, lembrando de fatos particulares e memórias afetivas, Sotero disse estar muito arrependido pelo que aconteceu naquela noite e pediu perdão à família da vítima.
Agressão
“Eu também estou sofrendo muito, tenho quatro filhos pequenos e uma mãe. Eu vivo a base de remédio. Minha vida foi por água abaixo. Eu quero que vocês julguem por Justiça e não por algo midiático. E entendam que eu me defendi de alguém muito agressivo naquela noite e não quero que ninguém passe por aquilo que passei. E estou há dois anos preso, sem cargo e sem ninguém, com minha mãe sofrendo muito”, lamentou Sotero.
O delegado contou que costumava frequentar a casa noturna nos últimos três anos e que no dia do crime pediu para ir para delegacia, logo, com medo de ser hostilizado.
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