
Desembargador decreta prisão temporária de 30 dias para Alejandro no caso do engenheiro assassinado. Foto: Marcos Lima
O desembargador José Hamilton Saraiva dos Santos, do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), revogou a decisão que concedeu prisão domiciliar a Alejandro Molina Valeiko, nesta segunda-feira (7), após receber, por distribuição, a relatoria do processo encaminhado pela Polícia Civil.
Hamilton revogou a decisão da desembargadora Joana dos Santos Meirelles, que no plantão judicial havia deferido pedido de habeas corpus impetrado pela defesa de Molina, pelos advogados Marco Aurélio de Lima Choy e Yuri Dantas, que argumentaram, entre outros itens, a necessidade do cliente continuar tratamento psiquiátrico em razão de dependência química.
Após analisar os autos do processo, o desembargador relator proferiu uma nova decisão, decretando a prisão temporária por 30 dias de Alejandro. A decisão do magistrado tem 18 páginas.
O processo corre em sigilo de Justiça, em consequência de documentos que não podem vir a ser divulgados no momento sob risco de prejudicar a investigação. Alejandro deve permanecer separado dos demais detentos em presídio.
Alejandro desembarcou em Manaus nesta segunda-feira (7) e por volta de 12h13, se apresentou na sede da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), para prestar esclarecimentos. No último sábado (5), ele teve a prisão temporária convertida em prisão domiciliar em razão de um habeas corpus deferido pelo Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM).
“Eu não posso adiantar muita coisa uma vez que o processo ainda corre em segredo de Justiça. Alejandro veio aqui se colocar à disposição da polícia para esclarecer fatos. Ele é o principal interessado para que o caso se esclareça. Ele prestou depoimento ainda na segunda-feira, logo após o encontro do corpo, e volta aqui novamente para esclarecer”, disse o advogado.
Alejandro chegou a ser considerado foragido ao não se apresentar à delegacia quando teve sua prisão decretada na última quinta-feira (3). Porém, a defesa alegou que o mesmo estava internado em uma clínica de reabilitação para dependentes químicos.
Após seus advogados apresentarem laudos sobre seu quadro psicológico e em razão da dependência, ele teve sua prisão temporária convertida em domiciliar pela desembargadora Joana Meirelles do Tribunal de Justiça.
Estão presos na Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS) José Edvandro Martins de Souza Junior, 31, Elielton Magno de Menezes Gomes Junior, 22, e Vitorio Del Gatto, chefe de cozinha de Alejandro da Silva Valeiko, que se apresentou na tarde de sexta-feira (04).
Os três estavam na casa junto com Alejandro e Flávio na noite do último domingo (29). O PM Elizeu da Paz de Souza, 37, que está lotado na Casa Militar da Prefeitura de Manaus e, conforme investigações, seria segurança de Alejandro, foi preso. Outro preso foi Mayc Vinicius Teixeira Parede, 37. Conforme as investigações, Elizeu e Mayc estiveram juntos no condomínio na noite em que ocorreu o homicídio de Flávio.
A PC apreendeu um carro, modelo Corolla, placas PHY-8178, que foi usado pelo policial para ir à residência. O veículo aparece em imagens de câmeras de segurança, resgatadas pela equipe policial.
Além de responder sobre as suspeitas de participação no homicídio na esfera criminal, o policial militar também vai responder a um Procedimento Administrativo Disciplinar, que será instaurado pela Diretoria de Justiça e Disciplina da Polícia Militar, de acordo com o Comando-Geral da PM.
Conforme informações do Instituto de Criminalística, foram realizadas perícias na casa de Alejandro, bem como no veículo em que estava o policial militar, filmado pelas câmeras de segurança do condomínio entrando e saindo ainda na noite do último domingo (29/09).
O perito Wanderley Pires explicou que o resultado dos exames de DNA deverá sair no prazo de até 30 dias. “Neste período, continuamos com o trabalho pericial e aguardando o resultado dos vários exames que fizemos. Coletamos vestígios na casa que podem ser sangue ou outro material biológico, além de barro e vestígios de vegetação em tênis”, afirmou.
O engenheiro Flávio dos Santos morreu vítima de seis facadas, conforme necropsia realizada pelo Instituto Médico Legal (IML). As equipes do 19º Distrito Integrado de Polícia e DEHS continuam as diligências em torno do caso.
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