08/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Aluna barrada em escola pública por não calçar tênis padronizado em Figueiredo

Publicado em 20 de setembro, 2019

Aluna barrada em escola pública por não calçar tênis padronizado em Figueiredo

Aluna barrada em escola pública por não calçar tênis padronizado em Figueiredo. Foto: Reprodução

Um vídeo que circulou nas redes sociais mostra um caso absurdo no interior do Amazonas, o momento em que mãe e filha são retiradas de dentro de uma escola pública por policiais militares sem ter uma acusação de crime contra as duas.

O motivo inicial seria em razão da jovem ter ido estudar com um tênis fora do padrão exigido pela instituição.

Aluna barrada

A estudante, que estava acompanhada da mãe, Elizangela Souza de Carvalho, quando foi barrada, ainda tentou argumentar com a direção da escola Mário Jorge Gomes da Costa, no município de Presidente Figueiredo, mas a decisão de não permitir que a aluna entrasse na sala de aula foi mantida.

Inconformadas com o absurdo, mãe, filha (aluna) e outros dois irmãos, que também estudam no mesmo colégio, questionaram por várias vezes a situação de constrangimento. A família chegou a informar que os pais estão desempregados, não tendo condições de comprar um par de tênis novo para que a estudante continuasse os estudos.

Tênis branco x tênis preto

O tênis da estudante é branco e o exigido é na cor preta. O desconforto foi maior quando o vice-secretário de Educação da cidade foi até o local acompanhado de uma viatura da PM, com a alegação de que o grupo estaria fazendo um tumulto na unidade.

“Eles foram grosseiros e em nenhum momento quiseram dialogar com minha mãe. Chegaram dando voz de prisão para minha mãe. Tudo isso aconteceu na frente de meus irmãos, que ainda são crianças. Nós a todo tempo tentávamos impedir que minha mãe saísse da escola dentro de um camburão”, disse a aluna Ana Jéssica de Carvalho Araújo.

Toda a confusão foi filmada. Despreparados e obedecendo ordens do vice-secretário, os PMs que atenderam a ocorrência são acusados de agressão. Jéssica teve o braço apertado bruscamente, o que causou hematomas.

Reviravolta

Um professor de educação física da escola, que se comoveu com a situação, resolver doar não só um, mais três pares de tênis para que a aluna pudesse continuar os estudos.

Nossa equipe de reportagem tentou contato com Secretaria Municipal de Educação do Município de Presidente Figueiredo, mas até o fechamento dessa matéria não obtivemos resposta.

Conforme a pedagoga Leide Gonsalvez, a escola municipal feriu pelo menos três parágrafos do Artigo 53 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), onde diz que “Toda criança e o adolescente têm direito à educação, visando ao pleno desenvolvimento de sua pessoa, preparo para o exercício da cidadania e qualificação para o trabalho, assegurando-se-lhes:
I – igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;
II – direito de ser respeitado por seus educadores;

Conforme a educadora, na prática, a escola sendo ela pública ou não, tem o dever de fornecer condições para que o aluno tenha o direto assegurado de poder participar das aulas.

Reportagem: David Batista

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