
A história de Sheila, mulher do narcotraficante João Branco, apontada como pombo-correio do marido e estopim do massacre de 55 presos em Manaus
Sheila Maria Faustino Peres, a Sheila, tem muita história para contar. Ela é mulher do narcotraficante e presidiário João Pinto Carioca, o João Branco. Foi presa praticamente na porta do avião, em São Paulo, a caminho de Barcelona, Espanha. A polícia considera que era importante “pombo-correio” da organização criminosa Família do Norte (FDN), trazendo ordens do marido para Manaus.
Sheila estaria no centro do massacre de 55 presidiários, ocorrido de 26 para 27 de maio deste ano.
Entra em cena, na trama, a irmã de José Roberto Fernandes, o Zé Roberto da Compensa, outro líder da FDN. Maria Cléia Fernandes Barbosa, condenada em 2011, em Fortaleza, por envolvimento com tráfico de droga, é “pombo-correio” do irmão.
Cléia teria descoberto que o esposo, conhecido como Marcelinho do Centro, havia se envolvido com Sheila. Começou então a buscar vingança e não hesitou em insuflar o irmão contra João Branco.
Sheila, por sua vez, é conhecida pelo temor que tem do companheiro. Sempre que alguém se aproximava dela – e diante da possibilidade de João Branco saber – buscava a morte dessa pessoa. Ela percebeu a força das ordens do marido e passou a cultivar voz de comando própria. A polícia investiga a possibilidade de que tenha ordenado vários assassinatos. Foi por esse caminho que envenenou João Branco para matar presidiários ligados a Zé Roberto. Este descobriu a ação antes e, aliado com Gelson Carnaúba e já cutucado pela irmã, mandou seu pessoal agir antes.
Sheila é conhecida desde o assassinato do delegado Oscar Cardoso, em 2014, na rua, no bairro de São Francisco. Ela teria dito a João Branco que foi sequestrada e estuprada por policiais do grupo do delegado. Estupro e sequestro não foram confirmados, mas o narcotraficante ordenou a morte, executada de forma cruel, com 18 tiros. O delegado carregava no colo o neto, à época com 1 ano e seis meses.
A morte de Oscar Cardoso é responsável pela atual prisão de João Branco. Ele foi condenado a 30 anos de prisão, em 14 de abril do ano passado.