
Mensagens indevidas atingiram celulares em capitais e municípios de três estados, além do Distrito Federal. (Foto: Reprodução)
Credenciais de acesso de agentes da Defesa Civil do estado do Pará foram utilizadas para disparar alertas falsos a milhões de celulares entre a noite de sexta-feira (19) e a madrugada de sábado (20).
As mensagens continham termos impróprios como “misantropia”, “ataque alienígena” e “burros dms pprt”, e chegaram a moradores de diversas regiões do país, incluindo as capitais São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Belo Horizonte, Curitiba e Rio Branco.
Além das capitais, municípios dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul e do Distrito Federal também receberam os alertas indevidos.
As mensagens foram enviadas por meio de categorias oficiais de desastres, como alagamentos, tornado e deslizamentos, o que ampliou a preocupação das autoridades.
As informações constam em um documento encaminhado pela Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil à Polícia Federal. O conteúdo foi revelado inicialmente pela Folha de S.Paulo e confirmado pela CNN Brasil.
A Polícia Federal abriu, neste sábado, uma investigação preliminar para apurar a suspeita de ataque hacker responsável pelo disparo dos alertas falsos. Esse procedimento antecede a abertura formal de um inquérito policial.
Segundo a corporação, o caso é tratado com atenção especial por envolver possível crime cibernético com impacto em sistemas federais. A PF conta com uma diretoria especializada em crimes cibernéticos para conduzir apurações desse tipo.
De acordo com o documento enviado à Polícia Federal, um fator que agrava a situação é o fato de os dois usuários identificados nos registros possuírem perfil estadual vinculado ao Pará, enquanto os alertas foram enviados para localidades fora da área autorizada de atuação.
A nota técnica aponta ainda indícios de falha no controle territorial da plataforma. Isso significa que, além do possível uso indevido das credenciais, o responsável pode ter conseguido operar o sistema sem as restrições geográficas que deveriam impedir disparos para outras unidades da federação.
Em nota, o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional informou que a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil está colaborando com as investigações da Polícia Federal e que mais informações serão divulgadas ao término da apuração, para não comprometer o andamento dos trabalhos.