
Bombeiros alertam para riscos de afogamentos durante o verão amazônico. Fotos: Divulgação CBMAM
Texto: Fabrinne Guimarães
Com a época de verão no Amazonas e as férias, é muito comum as pessoas saírem de suas casas e irem até balneários, banhos ou à praia da Ponta Negra buscar um refresco na temperatura. Apesar desses lugares proporcionarem momentos de lazer e alegria às margens dos rios, é comum também trazerem riscos que podem até mesmo levar a morte, como os afogamentos, por exemplo.
O Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) atua de forma permanente na praia da Ponta Negra, principalmente, para que a população possa desfrutar do ambiente de forma segura, com o suporte de guarda-vidas.
“Na Ponta Negra temos uma equipe fixa. Durante a semana contamos de quatro a seis guarda-vidas. No final de semana, o efetivo ganha um reforço da Companhia do Comando Geral, do Batalhão dos Bombeiros Especial, ficando entre 10 a 15 bombeiros, realizando o serviço no período de 8h às 18h”, explica o sargento Dennis Wilson.
O sargento diz ainda que o trabalho realizado na Ponta Negra se refere, principalmente, a ações de prevenção. “Nós trabalhamos em dois sentidos, na parte de prevenção aquática e de pessoas desaparecidas em meio líquido. São dois casos completamente distintos, um é prevenção, para que não ocorra afogamento, e quando ocorrer a gente utiliza o serviço de mergulhador”, conta.
No caso da prevenção, os bombeiros alertam e atuam para identificar vítimas em potenciais. A Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático (Sobrasa) indica aos guardas-vidas o método START, que classifica as vítimas de afogamento em quatro grupos distintos, que indicam a sua prioridade de resgate: 1=vermelha, 2=amarela, 3=verde, e “sem prioridade”=preto.
O vermelho compreende vítimas em afogamento de graus 2 a 4, e será atribuída às vítimas com expressão facial assustada e que submergem diversas vezes com possibilidade de descontrolo durante o resgate.
O amarelo exige intervenção do guarda-vidas, resgate, afogamento grau 1, suspeita de lesão adicional, nado sem deslocamento e abandono do seu flutuador, necessidades especiais, crianças e idosos.
No verde, a vítima precisa ser orientada para local seguro, nada com força contra a corrente de retorno, desconhece os perigos do meio e nada sem auxílio. E a cor preta é usada para vítimas de afogamento dos graus 5 e 6, em posição de decúbito ventral, e/ou sinais de morte evidentes.
“A gente consegue identificar no banhista esses três graus de risco. A pessoa que nada bem, que já tem uma experiência e tem o conhecimento de salvamento aquático, a gente sabe que aquela pessoa ali, olha e consegue identificar. Então o risco dela é muito baixo, ela está no verde. A pessoa que nada, mas assim faz uma braçada ali, faz uma gracinha e fica ali mais parado, essa pessoa tem um grau médio, porque da mesma forma que ela consegue nadar bem e ficar ali, ela se distancia e isso dificulta um pouquinho o retorno dela”, diz o sargento.
Para o bombeiro, se a pessoa se cansar, sentir uma caibrá, ela vai ter um risco de se afogar maior de que uma pessoa que já tem uma certa experiência e conhece seu limite. “E as pessoas que não sabem nadar, que não tem conhecimento nenhum de natação, apesar de ter um grau de risco muito alto, dificilmente se arriscam muito”.
Seis graus de afogamentoAlém disso, a Sobrasa classifica os afogados em seis graus: o grau 1 refere-se a vítima somente com tosse, sem espuma na boca ou nariz, com chance de mortalidade zero. Nesses casos, não há necessidade de atendimento médico, somente repouso, aquecimento e tranquilização.
Já o grau 2 indica pouca espuma na boca e nariz, com chance de mortalidade de 1%. A indicação nesses casos é necessário oxigênio e observação hospitalar.
No grau 3, a vítima apresenta grande quantidade de espuma, e uma taxa de mortalidade de 4% a 5%, sendo necessário uma ambulância para levar ao hospital e oxigênio via máscara facial. Já no grau 4, além de grande quantidade de espuma, a vítima não apresenta mais o pulso palpável e a mortalidade aumenta para 18% a 22%.
O grau 5 envolve uma parada respiratória isolada e a mortalidade é de 31% a 44%. No grau 6, o último, ocorre a parada cardiorrespiratória, com mortalidade de 88% a 93%. Nesses casos, é necessário haver a ressuscitação cardiopulmonar.
Em relação ao afogamento em meio liquido, o sargento explicou que os guarda-vidas recebem treinamento diário e auxílio de materiais para atuar nessas situações. Os bombeiros alertam para os riscos e os usuários da praia devem obedecer às normas informadas em placas, aviso e orientações.
“Os materiais e equipamentos que utilizamos, normalmente, além do material do efetivo, são boias, life belt, que são bastões emborrachados com uma catraca que é acoplada na vítima para facilitar o arrasto na hora do resgate, nadadeiras, máscaras, pranchas, caiaque, jet ski, lanchas e quadriciclos. Os quadriciclos usamos para fazer ondas na praia, realizando orientação, porque o salvamento aquático não é simplesmente você entrar na água e buscar. Ele consiste, principalmente, em prevenção”, esclareceu.
FiscalizaçãoApesar da fiscalização constante na praia da Ponta Negra, o sargento afirmou que não há uma legislação, no Brasil, que torne atribuição dos bombeiros estar nos balneários, por exemplo.
“Na nossa legislação temos a lei 2812 de 2003, que ela fala da atuação de fiscalização do Corpo de Bombeiros. Essa legislação trata somente da parte técnica de combate a incêndio e controle de pânico. Qualquer edificação, que seja multifamiliar, empresa, comercial, pode ser fiscalizada”, disse.
Comunidades podem procurar o Corpo de Bombeiros e pedir ajuda para realizar palestras e orientações à população.
Só de janeiro a junho deste ano, o Corpo de Bombeiro teve 54 ocorrências de afogamento, todos com óbito. Apesar de ser um número alto, com uma média mensal de 9 casos, o sargento afirma que a maioria delas não ocorreram durante a atuação dos salva-vidas na Ponta Negra, no horário de serviço.
Para finalizar, o sargento dá dicas para quem quer se divertir e não ter risco:
– Se você não sabe nadar não se arrisque;
– Se estiver com crianças ou idosos não fazer o consumo de bebidas alcoólicas ou outra substância que possa comprometer a sua atenção;
– No calor, se alimentar o suficiente, mas não muito quando entrar na água;
– Se hidratar bastante, evita a fadiga, o mal súbito;
– Procurar balneários que tenha um guarda vidas no local;
– Não deixar as crianças sozinhas, e não é recomendado a utilização de boias de braços e nem as de ‘rosquinha’;
– Em tempo chuvoso sair da água, da piscina, rio ou igarapé por conta dos raios, não só por conta dos afogamentos.
