
O ministro Sergio Moro participa de audiência pública na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, disse nesta quarta-feira (19) que não tem apego pelo cargo e que, se houver irregularidade de sua parte, ele deixa o posto dado pelo presidente Jair Bolsonaro. Moro presta informações, desde a manhã de hoje, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado sobre a troca de mensagens com procurador da operação Lava Jato.
O site The Intercept divulga, desde o dia 9 deste mês, matérias sobre diálogos de Moro, enquanto ainda era juiz federal, com o procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava Jato. As conversas são dos anos de 2016 e 2017, no Telegram, e mostram, segundo o site, que Moro orientou a atuação dos procuradores da força-tarefa em casos como do grampo da ex-presidente Dilma Roussef.
Nesta quarta, Moro voltou a dizer que não cometeu nenhuma irregularidade. “Eu não tenho nenhum apego pelo cargo em si. Apresente tudo. Vamos submeter isso, então, ao escrutínio público. E, se houver ali irregularidade da minha parte, eu saio, mas não houve. Por quê? Porque eu sempre agi com base na lei e de maneira imparcial”, disse Moro aos parlamentares.
O ministro disse também que é comum juízes, procuradores, promotores, policiais e advogados conversarem.
Conluio
Moro afirmou, ainda, que não houve conluio com o Ministério Público Federal. Ele apresentou um balanço de que foram feitas cerca de 90 denúncias pelo MPF, das quais 45 foram sentenciadas. “Se falou muito em conluio. Aqui é um indicativo claro que não existe conluio nenhum, inclusive divergência”, disse o ministro.
Segundo Moro, foram 291 acusados e 211 condenados, 21% de absolvições.
Novas conversas
Além da troca de mensagens envolvendo os nomes do ex-presidente Lula e de Dilma, o Intercept divulgou diálogo entre Moro e Dallagnol sobre o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC).
De acordo com o site, o diálogo teria ocorrido no dia 13 de abril de 2017, um dia após o Jornal Nacional ter veiculado uma reportagem a respeito de suspeitos contra FHC. A reportagem trouxe a delação premiada de Emilio Odebrecht, que disse ter pago caixa dois às campanhas de FHC nos anos 1990.
Segundo o site, Moro teria manifestado contrariedade com a decisão de investigar o caso em São Paulo mesmo já estando provavelmente prescrito, porque isso melindraria “alguém cujo apoio é importante”.
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