
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O site The Intercept divulgou neste domingo (9) uma série de mensagens que mostram que o ex-juiz federal Sergio Moro, hoje ministro da Justiça, orientou ações do Ministério Público Federal (MPF) na operação Lava Jato. Os diálogos no aplicativo Telegram foram obtidos, segundo o site, por um hacker que compartilhou o material de forma anônima.
O interlocutor de Moro nas conversas vazadas é o procurador Deltan Dallagnol, do MPF, autor da denúncia que levou à condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no caso do tríplex do Guarujá. Entre os trechos divulgados, está a indicação, por parte de Moro, de uma pessoa “aparentemente disposta” a falar sobre imóveis relacionados ao petista.
As mensagens também mostram que o então juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba, onde correm os processos da Lava Jato, chegou a queixar-se de recursos que poderiam atrasar a execução de pena de um acusado e fez sugestões no cronograma de fases da operação.
Segundo o site Intercept, o então juiz Sergio Moro cobrou novas operações dos procuradores. Em um dos diálogos, Moro pergunta a Dallagnol: “Não é muito tempo sem operação?”. O chefe da força-tarefa concorda: “É, sim”.
Em outra conversa, o site diz que é Dallagnol que pede a Moro para decidir rapidamente sobre um pedido de prisão: “Seria possível apreciar hoje?”. Moro responde: “Não creio que conseguiria ver hoje. Mas pensem bem se é uma boa ideia”.
Nove minutos depois, Moro, segundo o Intercept, adverte a Dallagnol: “Teriam que ser fatos graves”.
Dilma
Moro e Dallagnol ainda trocaram mensagens sobre a divulgação, pelo então juiz federal, de conversas telefônicas interceptadas entre Lula e Dilma Rousseff, quando a ex-presidente decidiu indicar o líder petista para chefiar a Casa Civil, em março de 2016.
A estratégia foi discutida entre os dois, mostra a reportagem: “A decisão de abrir está mantida mesmo com a nomeação, confirma?”, pergunta Dallagnol. “Qual é a posição do MPF?”, indaga Moro, ao que o procurador responde “Abrir”. A iniciativa foi criticada pelo fato de Dilma ter foro privilegiado e qualquer suspeita contra ela deveria ser encaminhada ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Entrevista de Lula
O site também diz que os procuradores da Lava Jato, em conversas no Telegram, trocaram mensagens expressando indignação quando o ex-presidente Lula foi autorizado pelo ministro Ricardo Lewandowski, do STF, a dar uma entrevista à Folha de S.Paulo.
Isso demonstraria, segundo o Intercept, um viés partidário nas ações contra o ex-presidente Lula, cuja eleição, diz o site, os procuradores queriam evitar.
Segundo o Intercept, a procuradora Laura Tessler afirmou: “Que piada!!! Revoltante!!! Lá vai o cara fazer palanque na cadeia. Um verdadeiro circo. E depois de Mônica Bergamo, pela isonomia, devem vir tantos outros jornalistas… E a gente aqui fica só fazendo papel de palhaço com um Supremo desse…”.
Respostas
Os procuradores do MPF e o ex-juiz Sergio Moro se manifestaram por meio de nota.
“Não se sabe exatamente ainda a extensão da invasão, mas se sabe que foram obtidas cópias de mensagens e arquivos trocados em relações privadas e de trabalho”, diz a nota subscrita pelos procuradores da Lava Jato.
Moro também afirmou que o conteúdo foi retirado do contexto. “Não se vislumbra qualquer anormalidade ou direcionamento da atuação enquanto magistrado, apesar de terem sido retiradas de contexto e do sensacionalismo das matérias, que ignoram o gigantesco esquema de corrupção revelado pela Operação Lava Jato.”
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