Traficantes, homicidas, xerifes e condenado por tentar matar ministro são transferidos

Traficantes, homicidas, xerifes e condenado por tentar matar ministro são transferidos

Traficantes, homicidas, xerifes e condenado por tentar matar ministro são transferidos. Fotos: Roberto Carlos/ Secom

Entre os nove detentos transferidos para presídios federais, apontados como líderes das 55 mortes ocorridas no sistema prisional do Amazonas no domingo e segunda (dias (26 e 27), estão criminosos de alta periculosidade, traficantes ligados às facções criminosas em operação no Estado, homicidas e xerifes de cadeias.

Traficantes

A Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) realizou, no início da tarde desta terça-feira (28), a transferência dos primeiros nove detentos identificados como sendo líderes dos assassinatos ocorridos no sistema penitenciário do Estado, no último domingo e segunda-feira (26 e 27/5).

Rivelino de Melo Muller é um dos citados na denúncia do Ministério Público (MP-AM) como um dos envolvidos diretamente no massacre do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), em 2017. Ele cumpre pena por tráfico internacional de drogas, tendo sido condenado a mais de 10 anos, pela Justiça Federal. Já cumpriu pena em presídio federal e retornou a Manaus.

Na denúncia, Rivelino, vulgo “Loiro” ou “Loirão”, foi apontado como rebelado que era um dos representantes do pavilhão 2, atuando como líder na rebelião que terminou com 56 mortes. Hierarquicamente, no crime, ele está abaixo de “Caroço”, Janes do Nascimento Cruz, também transferido hoje.

Rivelino foi visto matando vários internos e ordenando a morte de vários outros, estando ora com uma faca ora com um rifle no motim de 2017. Ele é um dos xerifes da Família do Norte (FDN).

Ordem de Zé Roberto

“Caroço” ou “Mano Leão” é apontado como um dos líderes do massacre, ordenando execuções. Ele já cumpriu pena em presídio federal, em Campo Grande, mas retornou para o Compaj em abril do ano passado. Cumpre pena por tráfico internacional.

Janes foi preso em março de 2011, em cumprimento de mandado de prisão da Operação Ilhas, da Polícia Federal, em Tabatinga (distante 1.110 quilômetros de Manaus).

Recado dado para matança

Ao voltar de Campo Grande, “Caroço” foi apontado como “garoto de recados” de José Roberto Fernandes Barbosa, o Zé Roberto da Compensa, para realizar escavações no complexo, que facilitaria a fuga de presos.

Na denúncia do massacre, Janes foi apontado por 25 testemunhas confidenciais como líder geral da FDN no Compaj, estando à frente da rebelião. Ele portava armas de curto e longo alcance e usava colete balístico no dia.

Ainda foi visto atirando contra o policial que fazia a guarda da portaria e participando do grupo de internos que invadiu a inclusão. Teve ação decisiva nas mortes e esquartejamentos ocorridos na quadra do pavilhão 3. Foi responsável por encomendar as armas utilizadas durante o motim, as quais ficaram escondidas.

Foi relatado que a ordem para que a rebelião fosse deflagrada teria vindo de fora do Amazonas e “Caroço” teria ficado incumbido em repassá-la aos demais detentos.

Ministro

Na lista, consta o preso Jane da Silva Santos, o “Caneco”, condenado a 15 anos e seis meses de prisão pela tentativa de homicídio contra o atual ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Mauro Marques Campbell, em 2006.

Detido ano passado e com a cabeça a prêmio, “Bruno Fiel”, hoje do Comando Vermelho (CV), mas que já esteve na FDN, também foi transferido. Em 2018, a Secretária de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) chegou oferecer dinheiro para quem soubesse o paradeiro de Bruno Fiel e outros foragidos do Centro de Detenção Provisória Masculino (CDPM).

‘Bruno Fiel’

Bruno é pistoleiro do CV, liderada por Gelson Carnaúba, o “Mano G”. Ele também liderava o tráfico na área do Bairro da União, na zona Centro-Sul de Manaus.

No dia 4 de junho de 2017, ele foi preso no Rio de Janeiro, no morro Pavão Pavãozinho. Após ser transferido para Manaus, “Bruno Fiel” fugiu com outros 34 detentos do CDMP 2, no dia 12 de maio de 2018. Ele tem 15 processos na Justiça, cumpria pena por tráfico de drogas, associação para o tráfico e homicídio.

Anderson Gustavo Ferreira da Silva cumpria pena acusado de participar da morte de uma criança de 10 anos em Manaus. Ele foi detido em Boa Vista.

Urso Branco e Anjinho

Lucirle Silva da Conceição, também chamado de “Urso Branco” ou “Loirão”, estava recolhido na Unidade Prisional do Puraquequara (UPP), desde 18 de fevereiro de 2009, pela prática dos crimes de tráfico, porte ilegal de armas e formação de quadrilha. Além disso, responde a outros processos, como latrocínio. Ele seria do Primeiro Comando da Capital (PCC).

Felipe Batista Ribeiro, o “Anjinho”, é um antigo pistoleiro, que era do PCC. Ele havia sido preso em 2016. Ano passado, ele foi detido novamente pela Força Tática, no Tarumã, com 5 armas de fogo, duas granadas de uso exclusivo das Forças Armadas, 72 trouxinhas de maconha e um caderno com anotações relacionadas ao tráfico.

Entre os transferidos estão ainda Adriano Silva Monteiro, “Gordinho”, do Comando, preso por tráfico e homicídio, e Adeilton Gonçalves da Silva, por tráfico.

A Seap informa ainda que, por questões estratégicas, não pode divulgar o destino dos detentos neste momento.

Gabinete

O Gabinete de Crise envolvendo órgãos do sistema de segurança do Estado está reunido neste momento, sob a liderança do governador Wilson Lima, no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), para definir outras medidas para o sistema prisional do Estado.

DETENTOS TRANSFERIDOS NESTA TERÇA-FEIRA (28/05)

Rivelino de Melo Muller
Adriano Silva Monteiro
Janes do Nascimento Cruz
Jane da Silva Santos
Bruno Souza Carvalho
Anderson Gustavo Ferreira da Silva
Lucirle Silva da Conceição
Adeilton Gonçalves da Silva
Felipe Batista Ribeiro

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1 comentário

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  1. Eliel batista de andrade disse:

    Boa a matéria..