27/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Abusos e família sem estrutura são principais motivações para adolescentes entrarem no crime

Publicado em 28 de março, 2019

Além do rigor na apuração das ocorrências para que os menores apreendidos sejam submetidos às penalidades legais, a unidade policial também atua com orientação psicossocial. Foto: Divulgação

Responsável por conduzir casos de crianças e adolescentes envolvidos em infrações criminais, a Delegacia Especializada em Apuração de Atos Infracionais (Deaai), da Polícia Civil do Amazonas, tem empregado alternativas para melhorar o trabalho com os jovens e auxiliá-los a sair do mundo do crime.

Além do rigor na apuração das ocorrências para que os menores apreendidos sejam submetidos às penalidades legais, a unidade policial também atua com orientação psicossocial.

No ano passado, a unidade policial registrou a apreensão de 2,8 mil jovens envolvidos em ocorrências criminais. Além dos menores, as vítimas dos crimes também recebem atendimento psicossocial.

Terapia

Com os jovens, o objetivo é identificar motivações por trás dos atos que possam ser trabalhadas de forma terapêutica, com psicólogos. Adolescentes que cometem infrações penais, como ameaça e injúria, e até mesmo aqueles envolvidos em atos hediondos, como estupro e homicídio, são avaliados. O atendimento é feito na especializada e, por mês, cerca de cem pessoas passam pelo trabalho.

De acordo com Elizabeth de Paula, titular da Deaai, após quatro anos à frente da delegacia, é possível afirmar hoje que o maior problema do menor infrator não é a dependência química, mas a questão comportamental, que pode ser tratada com acompanhamento psicológico e, em alguns casos, até psiquiátrico.

Comportamento

“Na maioria das vezes são vítimas dos abusos, as vítimas de uma separação de pai e mãe, as vítimas das perdas. O adolescente infrator é fruto de problemas comportamentais. O uso de drogas só intensifica o problema que já existe. Preliminarmente a gente identifica quando eles chegam, vêm através de um pedido de socorro familiar, pais desesperados com o filho rebelde na adolescência. Nós identificamos o ato infracional e orientamos para acompanhamento psicossocial”, ressaltou.

Os resultados são significativos, segundo a delegada. Muitas vezes, apenas com uma conversa com profissionais, o menor infrator que vinha ameaçando ou injuriando os pais e familiares adota novo comportamento, deixando de cometer o ato infracional. Como exemplo, ela cita o caso de uma menina de 15 anos, usuária de drogas, e que, após acompanhamento psicológico, conseguiu abandonar o vício.

Crimes

“É um trabalho que rende resultados efetivos, mas é tudo uma construção. Temos alguns casos de adolescentes envolvidos em furtos, ameaças e injúrias aos pais e até em casos de estupro em que, por meio do atendimento psicossocial, nós conseguimos identificar a origem desse comportamento. Uma coisa que está sendo mal cuidada, mal trabalhada, resulta em crimes”, comenta Elizabeth.

Conforme a autoridade policial, o auxílio é uma mão estendida ao jovem que quer encontrar alternativas e abandonar a criminalidade. “Todos os casos que chegam à delegacia são judicializados e eles sofrem as sanções do direito penal”, afirmou.

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