
No vídeo, adolescente diz que médico maltratou ela e um parente chega a pedir que seja feita uma cirurgia. Foto: Reprodução
Em caráter emergencial, o Instituto de Ginecologia e Obstetrícia do Amazonas (Igoam) determinou a imediata suspensão dos plantões e serviços do médico ginecologista Armando Andrade Araújo, acusado de ter maltratado uma gestante, uma adolescente de 16 anos, em trabalho de parto na maternidade Balbina Mestrinho, há 9 meses, conforme vídeo nas redes sociais.
A gravação circulou nas mídias desde terça-feira (19) e segundo o Igoam, em nota, trata-se de um “caso isolado, de caráter individual e não reflete o trabalho coletivo realizado pelos demais sócios da empresa”.
O mesmo médico foi preso na operação “Jaleco”, da Polícia Civil, em 2015, quando foi afastado imediatamente do serviço, só sendo reconduzido aos plantões médicos após decisão judicial, atendendo pedido de liminar no processo número 0619570-10.2015.8.04.0001. Ele foi preso acusado de integrar uma quadrilha que extorquia pacientes para realizar partos, laqueaduras e outros procedimentos em hospitais da rede pública em Manaus.
Por ser réu primário, teve a pena convertida em prestação de serviço à comunidade. O instituto é prestador de serviços contratado pela Secretaria de Estado da Saúde (Susam). A nota é assinada pelo diretor-presidente do instituto, Anderson Gonçalves.
O caso do ginecologista ganhou repercussão nacional nesta quinta-feira (21), com matéria publicada no jornal Folha de S.Paulo. O Governo do Amazonas pediu o afastamento do médico após o vídeo repercutir nas redes sociais do parto.
No vídeo, que segundo a irmã da jovem foi gravado por algum funcionário da maternidade, a gestante aparece deitada completamente nua, com as pernas abertas posicionadas para o nascimento da criança.
Sentado, o médico Armando Andrade Araújo bate com as duas mãos no espaço entre a vagina e virilhas da paciente. “Ele malinou (maltratou) muito de mim, ele bateu…”, responde a paciente, chorando.
Em outro momento do vídeo, uma familiar pede que ela seja levada pro centro cirúrgico para ter o bebê, e ameaça chamar a imprensa. O médico responde: “Pode chamar quem for. Eu quero é que chame para eles verem que ela não ajuda”, disse, sugerindo que a gestante não estava “colaborando” para o parto.
A acompanhante, então argumenta que a grávida está fraca, depois do “dia todo” sentindo dores, pois ela estava na unidade desde o dia anterior.
A Susam informou que a gravação foi feita em maio de 2018, quando a adolescente tinha 16 anos. Conforme a secretaria, o parto da adolescente acabou sendo realizado por outro médico, às 5h33 do mesmo dia, e foi normal, sem intercorrências.
O Conselho Regional de Medicina do Estado do Amazonas (Cremam) também informou, por meio de nota, que vai instaurar uma sindicância. O Cremam alega que também só tomou conhecimento do caso após veiculação do vídeo pela mídia, na terça-feira (19).
Após a sindicância, se forem constatadas irregularidades, pode ser aberto um Processo Ético Profissional, que pode resultar na cassação do registro do médico.
Segundo informações do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), além da condenação ocorrida em maio de 2018, o médico aparece também como parte requerida em um processo de erro médico, foi denunciado por crime de perigo à vida ou saúde de outrem e, ainda, como réu em um quarto processo pelo crime de corrupção passiva. Todos os casos estão tramitando na Justiça.
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