
Foram 713 horas aulas, com instruções teóricas, legais e práticas, em terra, água e no ar, inclusive em outros Estados, em ambientes para recriar situações de estresse e de exaustão, colocando todos à prova. Fotos: Divulgação
O 2º Curso de Operações Táticas Especiais (Cote) do Grupo Fera, realizado em parceria com o Instituto Integrado de Ensino de Segurança Pública (Iesp), formou oito alunos-policiais de um grupo de 30 que iniciaram a jornada.
Foram 713 horas aulas, com instruções teóricas, legais e práticas, em terra, água e no ar, inclusive em outros Estados, em ambientes para recriar situações de estresse e de exaustão, colocando todos à prova.
O curso foi realizado pela Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (Core-AM), sob direção do delegado Juan Valério, e os policiais do Estado passam a integrar a Força Especial de Resgate e Assalto (Fera).
Rigoroso, duro e extremo. Essas são três palavras que explicam todas as instruções e ações realizadas durante mais de 713 horas de aula, onde os policiais ficaram praticamente em regime de internato, em busca de treinamento de excelência e acima da média, para atuarem em áreas urbanas, de risco e de selva.
“Intenção é formar um grupo seleto, altamente qualificado, para que possa atuar em qualquer tipo de situação ou missão, e especialmente em momentos de alto risco, em terra, no ar ou na água”, explicou Juan Valério.
Em entrevista ao Portal Marcos Santos, o delegado e coordenador dá mais detalhes da formação e da importância da formação de excelência para o combate ao crime:

Eles recebem não só uma série de especializações como também tem contato com diversas unidades de excelência do País, como a Core do Rio de Janeiro, e o grupo Tigre, do Paraná. Cada um atua com suas expertises, incluindo ainda as Forças Armadas, Bombeiros, Polícia Militar. Com esse conjunto, o policial formado sai com uma expertise acima da média e de excelência. Eles são treinados e preparados para operações de tiro embarcado em aeronaves, rapel, salto em rio, ações furtivas, fluviais, na selva. Temos uma região onde o tráfico de drogas usa os rios como estradas e a tríplice fronteira, o que exige muito combate fluvial. Entre os treinamentos temos o tiro de precisão, o sniper, e técnicas para resgate de reféns. Um dos casos de 100% de aproveitamento foi do assalto à loteria no São José, onde estavam 20 reféns. Não tivemos dano colateral, nenhum cidadão ferido ou atingido.
O treinamento técnico é um poderoso instrumento de combate à criminalidade. Os operacionais saem altamente qualificados para atuar em qualquer missão, a qualquer hora e em qualquer lugar, de maneira precisa, segura e técnica. Por isso os treinamentos são intensos, extremos. Temos semana zero, com restrição alimentar, de sono, para ver como o policial se comporta diante de adversidades, se consegue manter um padrão de raciocínio, de resposta em situações de alto risco. Na loteria, por exemplo, permanecemos por mais de cinco horas em posição, sendo instigados, com tiros em nossa direção, mas a calma foi mantida e o preparo técnico prevaleceu.
Eles podem atuar em conjunto com qualquer grupo civil e militar. foram formados com as mais diversas unidades de elite do País e temos policiais treinados nos Estados Unidos, por exemplo, na Swat. Na Polícia Civil há uma doutrina particular, a flexibilidade para atuar com qualquer unidade. Além do treinamento técnico e operacional ainda fica o legado da troca de experiência. Os formados que são do Amazonas ingressam no grupo Fera, que hoje é referência na Região Norte. Tem um destaque em apreensões de drogas e de armamentos do tráfico, assim como também age na rotina, da patrulha até crises no sistema prisional.
Depois da mescla de treinamentos e ensinamentos, onde atuamos no Amazonas em diversos e divergentes ambientes, urbano, fluvial, de selva, aéreo, com cães, confinados, a partir daí criamos um protocolo de ação para cada um. Em cada escola de operações especiais que fomos fizemos e moldamos as técnicas e táticas para nossa realidade. Não dá para ser especializado apenas em um ramo operacional. Por isso precisamos que os policiais formados façam essa verdadeira imersão no conhecimento, vivenciando dia e noite a prática. O tempo serve para praticar de maneira exaustiva, todas as instruções, repetidas, para que o conhecimento seja absorvido. Esse é o conceito de superioridade relativa, onde mesmo em menor número, o grupo altamente qualificado consegue se sobressair e sobrepujar pelo preparo eficiente, técnico e de superação.


A formatura contou com as presenças do secretário de Segurança, coronel Amadeu Soares, o delegado geral adjunto, Ivo Martins, o comandante geral da PM, coronel Claúdio, o diretor geral do Iesp, coronel Willer Abdala, além de representantes da Polícia Civil, do Exército, Marinha e Aeronáutica.
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