12/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

EXCLUSIVO Canal no YouTube e aplicativo são usados para divulgar ações de facção criminosa

Publicado em 30 de novembro, 2018

Conteúdo pode ser configurado como apologia ao crime, por não tratar apenas de material de mídia, mas de disseminação da facção. Foto: Reprodução

Não é novidade que as organizações criminosas possuem estruturas muito bem elaboradas e dinâmicas. A novidade é a utilização de aplicativos e ferramentas da internet para envio de mensagens e ordens para os chamados “soldados” de facções em todo o Brasil.

Uma plataforma de compartilhamento de vídeos e um aplicativo de celular vem sendo utilizados para compilar informações de facções, em especial do Comando Vermelho (CV) sobre atividades realizadas em território brasileiro. Dependendo da análise, o conteúdo pode ser configurado como apologia ao crime.

Estrutura

Dentre essas informações estão vídeos, áudios, fotos e notícia sobre prisões, fugas e julgamentos de integrantes de grupos criminosos, além de conteúdo sobre a estrutura organizacional.

O que chama a atenção tanto no canal quanto no app é a quantidade de informação relacionada ao “CV”. Não é possível afirmar a real intenção do autor-proprietário do canal e do aplicativo, se ele é integrante da organização ou se está apenas compilando informações a partir de rastreamento de notícias.

No canal de vídeos é possível conhecer a função de integrantes de facções, assim como saber as atividades do Comando Vermelho, Primeiro Comando da Capital (PCC) e Família do Norte (FDN), só para citar as maiores. Em algumas gravações, as organizações atuantes em Manaus são citadas diversas vezes.

App

Já o aplicativo atribuído ao canal possui diversos menus, onde os usuários podem navegar pelos assuntos que mais tem interesse, indo de notícias do tráfico a fotos, áudios e vídeos exclusivos, além de acesso ao YouTube.

Pesquisando sobre a origem do canal, assim como do aplicativo, é possível ver que eles são atribuídos a uma pessoa residente no estado do Rio de Janeiro identificada apenas como “Carol Santos”. A maioria dos conteúdos publicados é relacionado ao tráfico carioca.

Na Play Store, o aplicativo possui mais de 10 mil downloads, e o canal tem 232 mil inscritos. A reportagem do Portal Marcos Santos tentou contato diversas vezes com o autor, sem retorno.

Traficantes como João Branco, Mano G e Mano Kaio tem vídeos no canal

Região Norte

No canal foi possível identificar três vídeos citando traficantes perigosos atuantes na Região Norte, como João Pinto Carioca, o João Branco, da FDN, Gelson Lima Carnaúba, o Mano G, ex-FDN e um dos atuais chefes do Comando, e Kaio Wellington Cardoso dos Santos, o Mano Kaio, também integrante do CV.

João Branco e Mano G cumprem pena em presídios federais, enquanto Mano Kaio está foragido do sistema penitenciário de Manaus desde maio.

Fundador

No vídeo sobre João Branco o autor cita o dia do julgamento de um dos fundadores da FDN. O material foi publicado no dia 11 de abril de 2018, dois dias antes da data da sessão no Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), que resultou na condenação do traficante.

Em um outro vídeo disponível desde janeiro deste ano, é contada a história do traficante Gelson Carnaúba. É possível observar a narrativa cronológica, como uma linha do tempo, até a prisão de Mano G e sua transferência para o presídio de Catanduvas.

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Fuga do CDPM

A mais recente história publicada sobre traficantes nortistas foi a fuga de Mano Kaio do Centro de Detenção Provisória Masculina 2 (CDM2).

No vídeo, o autor descreve a escapada e conta que ação teria sido planejada por Mano G, porque segundo ele (autor), o chefe do Comando Vermelho precisava de alguém de confiança fora do presídio para gerenciar as ações do crime na capital.

O autor conta ainda que essa fuga teria sido encomendada pelo CV e que as autoridades temiam o início de uma guerra, uma vez que estava declarado o racha entre as facções no Estado.

Polícia Civil

A Polícia Civil do Amazonas vem acompanhado toda movimentação das organizações criminosas. Para o secretário da Secretaria Executiva Adjunta de Operações (Seaop), delegado Guilherme Torres, o que chama atenção é o fato de que o criador possui informações que muitos vezes que os próprios “soldados” do trafico não tem acesso.

“Acho temerário. Uma coisa é a liberdade de imprensa, divulgando um fato e fazendo referência à facção “X” e “Y: . Outra bem diferente é divulgar ações do tráfico e das facções. A depender do caso pode-se ter apologia ao crime ou até mesmo participação em organização criminosa. Tudo depende da análise do caso concreto”, destacou Torres.

Reportagem: David Batista

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