09/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Projeto que cria segurança máxima para presídios terá impacto direto nas facções, diz delegado

Publicado em 28 de novembro, 2018

O texto proíbe também a entrega de alimentos, refrigerantes e bebidas em geral por parte dos visitantes. Também está vetado o uso de aparelhos telefônicos, de som, de televisão e de rádio. Foto: Divulgação

A Câmara dos Deputados aprovou, por 291 votos a favor e 8 contrários, a urgência para o projeto de lei (7.223/06) que cria o regime penitenciário de segurança máxima. Para esses presídios são enviados, em geral, condenados apontados como líderes do crime organizado, por crimes hediondos contra policiais e parentes.

Ao aprovar a urgência, a Câmara estabelece que não poderá haver pedido de vista nem emendas à matéria. O tema também terá de estar entre prioridades nas votações. A medida inclui na legislação alternativas para o combate ao crime organizado, alterando a Lei de Execução Penal e tendo caráter preventivo.

Hoje, a maioria dos líderes de facções criminosas atuantes no Amazonas, como a Família do Norte (FDN) e Comando Vermelho (CV), está detida em presídios de segurança máxima federais.

Organização criminosa

Em entrevista exclusiva ao Portal Marcos Santos sobre o tema, o secretário da Secretaria Executiva Adjunta de Operações (Seaop), delegado Guilherme Torres, explica que o modelo hoje existente, o Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), é punitivo, pois enquadra o preso que transgredir a disciplina penitenciária.

“Ao contrário da legislação atual – que dá preferência à prisão em locais próximos da família do condenado –, a proposta determina que o preso em regime de segurança máxima poderá ficar em Estado distante do local de influência da organização criminosa da qual participava”, completa Torres.

Confira abaixo a íntegra da entrevista e mais detalhes sobre o projeto:

Qual o impacto de eventual aprovação do projeto de lei na Segurança Pública?

O primeiro impacto é o orçamentário, pois haverá a necessidade de criação, urgente, de presídios destinados a esse fim. Veja que a proposta é do ano de 2006 e somente agora, final de 2018, foi aprovada a urgência. Portanto, seria prudente que os Estados começassem a fazer estudos e projetos para criação de novos presídios, pois sabemos que os processos de licitação e construção levam um certo tempo. O segundo impacto é diretamente sobre às facções criminosas, pois o regime recai sobre presos que tenham envolvimento ou qualquer participação com organização criminosa. Entendo que o projeto, caso aprovado (e muito provavelmente será), é uma grande ferramenta para o controle dos presídios. O terceiro impacto importante é evitar que ordens das lideranças (tais como homíicidios e ataques) saíam de dentro dos presídios.

Mas, na prática, o que significa esse regime de segurança máxima?

O regime RSM (Regime de Segurança Máxima) é muito mais rigoroso até que o RDD (Regime Disciplinar Diferenciado). Basta verificar que um tem duração máxima de 360 dias e o outro duração de 720 dias, admitindo prorrogação. Além do mais, haverá um rigor na visita de familiares que será restrita a 2 por mês, separados por vidro e comunicados via interfone, sendo tudo filmado, gravado e encaminhado ao Ministério Público. O projeto veda a comunicação de presos entre si e de presos com agentes penitenciários, sendo os acompanhamentos todos monitorados. Outro ponto importante é que está vedado o acompanhamento mensal de advogado, salvo autorização judicial, sendo informado mensalmente à OAB os nomes dos advogados. Nesse ponto, é provável que haja contestação da Ordem dos Advogados sobre a necessidade de ter que pedir autorização judicial para visita de cliente.

Quem poderá construir estes presídios?

Todos os entes federativos, com exceção dos municípios, poderão construir os presídios destinados exclusivamente aos presos provisórios e condenados que estejam em regime fechado, sujeitos ao Regime Disciplinar Diferenciado ou ao Regime de Segurança Máxima, conforme dispõe o projeto.

Hoje um grande problema do sistema penitenciário é o controle de facções. Como garantir que não ocorra o mesmo nesses presídios?

Além do rigor já citado acima, os presídios disporão, dentre outros equipamentos de segurança, de bloqueadores de telecomunicação para telefones celulares, rádio-transmissores e outros meios, além de ser criada uma divisão de inteligência que encaminhará, mensalmente, ao Ministério Público, relatório sobre os presos e suspeitas de improbidade administrativa de agentes. Agora, garantia não há, pois não é uma fórmula matemática, porém o que posso dizer é que a lei criará mecanismos rigorosos à disposição dos gestores e que possibilitarão tomar as rédeas do sistema. Sem dúvida é um importante avanço legislativo.

Delegado Guilherme Torres afirma que regime é muito mais rígido e prevê ainda recolhimento em cela individual, banho de sol de, no máximo, duas horas diárias, e proibição de comunicação com outros presos

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