
Seap registra aumento de 75% no número de mulheres que deram entrada no CDPF após serem flagradas com entorpecentes nas unidades prisionais. Fotos: Divulgação Seap
Nos finais de semana de visita em unidades prisionais, a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) registra ocorrências de visitantes tentando entrar com materiais proibidos nos estabelecimentos prisionais.
Um dos itens mais flagrados pela secretaria e por agentes de socialização das empresas de co-gestão prisional são os entorpecentes.
De janeiro de 2017 até o último final de semana, o Centro de Detenção Provisória Feminino (CDPF), no km 8 da BR-174 (Manaus – Boa Vista), já recebeu 35 mulheres autuadas pelo crime de tráfico de drogas após tentarem burlar a segurança das unidades prisionais com entorpecentes.
Segundo balanço da Seap divulgado nesta quinta-feira (30), de janeiro a agosto deste ano houve um aumento de 75% no número dessas ocorrências, com 21 casos registrados até o momento.
No mesmo período do ano passado o CDPF recebeu 12 mulheres. Só no mês de agosto desse ano, nove mulheres foram flagradas nos procedimentos de revista com entorpecentes, sendo o maior número já registrado nos últimos 20 meses no sistema prisional.
De acordo com o secretário de Estado de Administração Penitenciária, coronel da Polícia Militar, Cleitman Coelho, o aumento significativo no registro das ocorrências tem dois fatores: a aquisição de mais equipamentos de fiscalização e o empenho dos servidores que atuam no sistema prisional.
“O uso de tecnologia e o compromisso de quem opera as máquinas devem ser aliados. Um complementa o outro e estamos investindo em capacitações para que a direção da Seap nas unidades e os agentes possam operar os equipamentos da melhor forma possível. Os resultados já estão surgindo, mas sabemos que podemos aprimorar ainda mais os procedimentos, para barrar totalmente a entrada de pessoas com ilícitos”.
A aquisição do body scanner no sistema prisional, que começou a ser utilizado em novembro de 2017, trouxe mais eficiência nos procedimentos de revista. Com o equipamento os flagrantes aumentaram, pois os entorpecentes escondidos nas partes íntimas das visitantes são detectados quando as mulheres passam pelo scanner corporal.
A Seap também realizou flagrantes de entorpecentes escondidos entre alimentos. Nesses casos todo o material que adentra a unidade passa pelo equipamento de raio-x e também por revistas manuais para detectar a presença de ilícitos disfarçados em pães, ovos, vasilhas e de outras formas como em casos já registrados anteriormente.

Cleitman Coelho ressalta ainda que o apoio da Polícia Civil e do poder judiciário nas ocorrências tem sido fundamental nos trabalhos desenvolvidos para coibir essa prática.
“O entendimento de todo o Sistema de Segurança e da justiça é que isso é crime, é tráfico de drogas. Por mais que a quantidade que muitas vezes é flagrada seja para consumo e não para comercialização, o fato é que elas entram com os entorpecentes para repassarem aos presos. Nos últimos dois anos isso foi se intensificando e hoje elas são responsabilizadas criminalmente pelo ato, e a punição não fica só no âmbito administrativo”.
As mulheres flagradas são todas encaminhadas ao 19º Distrito Integrado de Polícia (19º DIP) nos casos de flagrante em unidades prisionais da BR-174 e para o 14º Distrito Integrado de Polícia (14º DIP), para as ocorrências registradas na Unidade Prisional do Puraquequara (UPP).
Após os procedimentos cabíveis as mesmas são encaminhadas a Audiências de Custódia, onde são definidas as mulheres que dão entrada no sistema prisional.
A quantidade de entorpecente apreendida teve um aumento de 17%. Enquanto de janeiro a julho de 2017 foram flagradas com visitantes um total de 6,912 kg de entorpecentes entre maconha e cocaína, no mesmo período deste ano o número já soma 8,165 kg.
Em todas as unidades são registradas as ocorrências, com a Unidade Prisional do Puraquequara (UPP) tendo mais flagrantes, seguido do Centro de Detenção Provisória de Manaus (CDPM).
Em depoimentos registrados nos termos de ocorrências em unidades prisionais, mulheres relatam que são coagidas a entrarem com entorpecentes em unidades prisionais. Em alguns casos para sustentar os vícios dos companheiros ou filhos, ou para ajudar a saldar dívidas de seus parentes com outros presos.
O secretário Cleitman Coelho alerta para os perigos das mulheres se deixarem influenciar a praticarem os atos criminosos dentro e fora das unidades prisionais.
“Os motivos que levam essas mulheres a tentarem burlar a segurança são dos mais diversos, mas elas devem entender que para toda ação existe uma consequência, e no final das contas quem sofre são elas que acabam presas e tendo que responder por processos criminais”.
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