22/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

EXCLUSIVO Não existe fundo garantidor da Unimed Manaus e CNU ainda não fechou negócio

Publicado em 29 de junho, 2018

EXCLUSIVO Não existe fundo garantidor da Unimed Manaus

EXCLUSIVO Não existe fundo garantidor da Unimed Manaus e a Central Nacional Unimed (CNU) ainda não fechou a compra, diz superintendente

O superintendente Administrativo Financeiro da Central Nacional Unimed (CNU) esclareceu pontos da relação da operadora com a Unimed Manaus. A Agência Nacional de Saúde (ANS) determinou a “alienação compulsória” (venda obrigatória) da cooperativa manauara, dia 26/09, em 30 dias. “Estamos em Manaus para estudar se existe viabilidade para transferência da carteira de (122 mil) clientes. Ainda não temos resposta”, disse Rodrigo Guerra.

O superintendente ligou para o Portal do Marcos Santos para esclarecer ponto crucial. Trata-se de entrevista desta quinta (28/06), do presidente da Organização das Cooperativas do Brasil no Amazonas (OCB-AM), José Merched Chaar. “Não existe um ‘fundo garantidor’ em nenhuma das 370 Unimeds existentes. Elas são independentes”, disse Rodrigo.

Merched afirmou que o “fundo garantidor”, que disse estar estocado na CNU, garantiria a cobertura das dívidas da Unimed Manaus. Rodrigo Guerra jogou uma ducha de água fria nessa expectativa. “A CNU é uma operadora de planos de saúde secundária. Tem 1,5 milhão de beneficiários e cumpre as obrigações junto à ANS como qualquer outra. Não existe fundo pago por outras Unimeds para fazer frente a situações de falência. Não tem. Não existe. São 370 Unimeds, todas com gestões autônomas e responsabilidades frente ao órgão regulador e seus usuários”, disse.

Rodrigo Guerra nega que tenha havido reunião em São Paulo, entre a diretoria da CNU e o médico amazonense Jesus Pinheiro. “Quem está coordenando isso é a Unimed Brasil, mas quinta (28/06) não houve essa reunião”. “O atendimento dos usuários continua com a operadora, até concretizar a venda”, acrescenta o superintendente.

O executivo da CNU também se recusou a responder se a central tem interesse em comprar a Unimed Manaus. “Só confirmo o estudo. Ainda não temos resposta se existe viabilidade no negócio. A gente precisa de responsabilidade e cautela para dar um passo com segurança. A Unimed Manaus é que está à frente disso. A resposta quem tem que dar é a instituição detentora da carteira”, disse.

O superintendente considera os 30 dias de prazo na regulação da alienação compulsória suficientes. “Só a Unimed Manaus pode responder, mas, com certeza, o que for preciso fazer, para cumprir o prazo, será feito”.

Sobre a possibilidade de “oferta pública”, ou seja, leilão no mercado, da carteira, ele disse não ser um problema. “Isso abre para outras operadoras. Já ocorreu no Brasil, não lembro onde, sem dano para o beneficiário”.

 

Entenda o caso

O portal apurou que CNU e Unimed tentam vencer as etapas de estudo e negociação, desde o ano passado. Aceleraram o processo buscando concluir tudo antes que a ANS decretasse a alienação compulsória, que era iminente. A decretação, ocorrida segunda (26/06), acelerou tudo.

A construção do negócio CNU-Unimed esbarrou na determinação dos cooperados, médicos manauaras, de não fazer novo aporte de recursos. Eles acham que já gastaram demais e se recusam a cobrir o rombo deixado por más gestões.

Os usuários estão cobertos pelo período de 30 dias, prazo para a venda oferecido pela ANS. Depois disso ou a compradora assume a carteira de clientes ou será aberta a “oferta pública”. Garantir a manutenção dos planos, a partir de então, sem reajustes financeiros ou mudanças nos contratos, será questão de mercado. A compradora pode ter interesse em manter os usuários, sob pena de perder o que investir no negócio.

 

Queda de braço

O “estudo da viabilidade do negócio”, citado pelo superintendente da CNU, tem uma tradução bem direta: Unimed Manaus e CNU não chegaram a um preço aceitável para ambas.

Com a alienação compulsória, a CNU pode ter endurecido ainda mais. Até porque, vindo a oferta pública, o leilão, a ANS oferece uma série de vantagens para o comprador. Pode ser mais negócio esperar e comprar na bacia das almas o que seria, praticamente, uma galinha morta.

 

Bom negócio

Especialistas são unânimes em dizer que o melhor negócio para usuários da Unimed Manaus é a venda para a CNU. “Ela é um dos melhores planos de saúde do País. Tanto que comprou várias Unimeds, como as de Brasília, São Luiz e algumas do interior de São Paulo. Tem, além disso, um intercâmbio muito forte. O melhor para o usuário de Manaus é ser cliente CNU”, disse um deles.

 

Veja a íntegra da nota enviada pela CNU ao portal:

“A Central Nacional Unimed, cooperativa de 2º grau pertencente ao Sistema Unimed, acompanha, assim como todas as demais cooperativas da marca, o processo de alienação compulsória da carteira da Unimed Manaus, decretado no último dia 26 de junho pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Na alienação compulsória, a operadora de planos de saúde continua sendo a única responsável pela assistência aos seus beneficiários. Além disso, a Unimed Manaus tem total autonomia para avaliar eventuais propostas de outras operadoras de planos de saúde interessadas na transferência de sua carteira de beneficiários, após formalização do processo legal junto à ANS, responsável pela aprovação final do processo de alienação compulsória.

Não há, até agora, qualquer formalização da Central Nacional Unimed neste sentido, assim como não existe no Sistema Unimed “fundo garantidor” de qualquer natureza para subsidiar este tipo de operação junto às operadoras da marca.

Por isso, a Central Nacional Unimed foi surpreendida por afirmação nesse sentido. Reitera que seu interesse no caso é a necessária estabilização do atendimento aos milhares de clientes sob a responsabilidade exclusiva da Unimed Manaus.”

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