
Unimed a um passo de fechar com CNU. Central Nacional Unimed tem um fundo garantidor para investir em situações como a criada pela decretação da alienação compulsória da cooperativa de Manaus, diz presidente da OCB-AM, Merched Chaar (foto)
A Unimed Manaus está a um passo de ficar sob administração da Central Nacional Unimed (CNU). O médico Jesus Pinheiro está em São Paulo, o dia inteiro em reunião com a diretoria da Central. “A CNU tem uma reserva, paga por todas as Unimeds, para garantir negócios como esse”. A informação é do presidente da Organização das Cooperativas do Brasil no Amazonas (OCB-AM), José Merched Chaar.
A Unimed admite, após vários desmentidos ao Portal do Marcos Santos, que o negócio com a CNU, que também negou, estava sendo tratado há meses. O presidente da OCB-AM vem acompanhando as negociações porque a Unimed é uma cooperativa.
Merched é ex-professor da Ufam e doutor em Food Technology And Science pela University Of Tennessee (1990). É também professor aposentado da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Veja, abaixo, íntegra da entrevista em que fala das negociações da Unimed:
José Merched Chaar – Todos terão garantida à assistência. E ainda haverá vantagens, principalmente para quem paga assistência médica nacional, pela abrangência da Central (CNU).
Merched – A CNU tem uma reserva para isso. É um fundo garantidor. Ela recebe aporte de todas as Unimeds do Brasil e tem um faturamento mensal de R$ 300 milhões.
Merched – Vão sanear financeiramente a Unimed Manaus e ditar regras duras para os cooperados. Os usuários não. Esses ficarão felizes porque o atendimento deve melhorar muito.
Merched – A CNU assume, mas a Unimed não é vendida. Os 122 mil usuários serão administrados pela CNU. Os prejuízos não serão, de forma alguma, para usuários. A cooperativa continua sendo Unimed Manaus, mas a gestão não será mais dos médicos daqui e sim da Central.
Mderched – Meu filho é médico da Unimed Espírito Santo e minha nora também. Para entrar lá, o médico cooperado tem que aportar R$ 140 mil. Belo Horizonte, que estava pior que Manaus há dez anos, hoje é modelo de negócio no Brasil, com uma intervenção da CNU. Eles chegam e dizem: “Agora sai da frente que eu vou dirigir”.
Merched – A CNU pode mantê-los. Essas pessoas pegaram um abacaxi que vem se arrastando há anos. A crise da Unimed tem outros motivos: queda do distrito industrial e aumento dos custos de saúde, por exemplo. Uma tomografia ou uma ressonância são caríssimas. Tenho uma crítica a fazer. A ANS faz as leis, cobra e pune. Tudo ela sozinha, em nome da defesa do consumidor. Até certo ponto está certo. Mas o problema é que a saúde era obrigação dos governos e isso não existe. Então vai em cima de quem pode pagar. A ANS tenta garantir que esse povo, usuários dos planos de saúde, não vá para o SUS.
Merched – Hoje (28/06) houve um tumulto na Assembleia, com a ideia de que o usuário ficará desassistido. Isso não existe. Isso está mais controlado do que há um mês atrás. O grupo que está à frente da Unimed, Sérgio Ferreira, Nélson, responsável técnico pelo hospital, Jesus Pinheiro, Marinho, são profissionais que querem arrumar a casa. Isso só acontece com sacrifício. Quem tem que pagar a conta são os proprietários, os médicos. Aí é que existe um problema a ser resolvido.
Merched – Quem não quiser pagar sai, mas também não se habilita ao lucro futuro.
Merched – Não. Tem que pagar a parte que lhe cabe no prejuízo para sair. Ninguém paga a conta no lugar de ninguém no cooperativismo. São os donos. Não há litígio patronal e laboral. Somos usuários e proprietários.
Merched – Não li o contrato, o acordo, mas, provavelmente, a CNU vai aportar os R$ 500 milhões da dívida e o patrimônio deve ficar como garantia.
Merched – Não existe calote em cooperativismo. Deus me livre. Pode ser que sejam feitos parcelamentos e essas pessoas que prestavam serviço continuarão prestando.
Merched – Isso está sendo pago. O problema é mais com empresas prestadoras de serviços e os próprios cooperados. Ninguém briga com a União. Aí complica.
Merched – Sim. Jesus Pinheiro é um médico de enorme credibilidade. Ele estava negociando. E o doutor Sérgio, que também é uma pessoa séria. Eles estão há seis meses fazendo essa negociação. Aí a ANS apertou e as coisas tiveram que ser aceleradas.
Merched – CNU, Unimed Manaus e ANS devem fazer um anúncio oficial ao mercado.
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