11/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Barítono Homero Velho é destaque na estreia mundial de “Vulcão Azul”, no FAO

Publicado em 23 de maio, 2018

Barítono Homero Velho dá vida ao holandês Van Roory, dono de mineradora na estreia mundial do FAO. Artista fala sobre ópera e canto. Fotos: Michael Dantas/ SEC

Vem de uma mistura de mitologia e tintas de ficção, embebidas em realidade, a nova produção operística brasileira que terá estreia mundial no próximo domingo (27), no Teatro Amazonas: “Kawah Ijen”, do compositor brasileiro João Guilherme Ripper, que foi encomendada especialmente para o Festival Amazonas de Ópera (FAO).

Segunda peça encomendada a Ripper para o FAO, “Kawah Ijen”, ou o “Vulcão Azul”, trará ao palco do teatro uma história que se passa nos arredores do vulcão, na Indonésia, onde o dono de uma mineradora, o holandês Van Roory, enriquece às custas da exploração dos habitantes da vila.

E quem dá voz e vida a Van Roory no FAO é o barítono Homero Velho, um dos cantores mais comprometidos com a ópera contemporânea brasileira. Homero é um dos artistas expressivos do festival, estando presente nos palcos do Teatro Amazonas desde 2003.

Em entrevista ao Portal Marcos Santos, o barítono, que leciona na Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro, contou que o que torna a estreia mais especial é o fato de poder criar algo que nunca foi feito antes.

“Posso fazer uma coisa que ninguém fez. Posso imprimir uma primeira interpretação, fazer algo que nunca foi montado antes. É um papel muito especial, tanto para os intérpretes quanto para os músicos, maestro e produção”, fala Homero.

Cena lírica

Artista requisitado na cena lírica nacional, o barítono dedica-se ao canto lírico desde os 18 anos. Viveu nos EUA, onde participou de diversos festivais de ópera, interpretando papéis principais como The Ghosts of Versailles (Corigliano) e Don Giovanni (Mozart).

“Manaus se firmou como um dos cenários operísticos, com o festival, mais importantes da América Latina. E na Amazônia temos um polo regular, incluindo o festival de Belém. E o Teatro Amazonas é um dos mais fantásticos, e tinha que voltar a pertencer à função principal de realizar ópera”, disse Homero Velho.

Indonésia

Sobre a estreia de Guilherme Ripper, o artista adianta que é uma história bem dramática e com vários arquétipos em relação a personagens com perfis do bom e do mau. “A música é melódica e é uma maneira fantástica de estimular esse microcosmo que é o da ópera. Tudo será pela primeira vez no “Vulcão Azul”, e o público terá uma oportunidade muito bonita de acompanhar”.

Barítono experiente, Homero lembra que hoje o repertório base da ópera mundial se resume a 40 peças, e que estreias como a de “Kawah Ijen” são estimulantes. “O FAO tem coisas próprias que o tornam único e muito importante, como o envolvimento local, com os corpos estáveis, a escolha do repertório, as estreias mundiais, além de tudo que se cria em torno, como a fonte de empregos e de próprio orgulho para o Estado”, fala.

Em casa

O artista se sente em casa em Manaus e conta que a vida, a rotina, acaba girando em torno do teatro, de onde guarda a sensação única e especial de cantar. “É uma emoção única cantar num teatro no meio da floresta amazônica, com toda essa história e mundialmente conhecido. Acho que em 2018, Manaus será a cidade brasileira que mais terá mais montagens de ópera no ano. Isso é especialíssimo”.

A estreia

No dia 27 de maio, o Teatro Amazonas será palco da estreia mundial de “Kawah Ijen”, do compositor brasileiro João Guilherme Ripper, que foi encomendada especialmente para o Festival Amazonas de Ópera (FAO).

A história se passa nos arredores do vulcão Kawah Ijen, na Indonésia, onde o dono de uma mineradora enriquece às custas da exploração dos habitantes da vila. Obrigados a chegar até as profundezas da cratera para recolher as melhores pedras de enxofre, os mineiros acabam por inalar o gás venenoso que os vitima ainda jovens.

Graças ao pacto com a divindade do vulcão, o dono é protegido das constantes revoltas e ameaças do povo. Entretanto, uma inesperada reviravolta acontece quando ele cobiça e violenta uma jovem da vila que dará à luz aquele que mudará o destino de todos e do próprio vulcão.

Ficha técnica

As reapresentações acontecerão nos dias 31 de maio e 2 de junho, no encerramento do Festival, com o Corpo de Dança do Amazonas, Coral do Amazonas, Orquestra Amazonas Filarmônica, sopranos Isabelle Sabrié e Daniella Carvalho, tenores Daniel Umbelino e Juremir Vieira, baixo Murilo Neves, barítonos Homero Velho e Inácio de Nonno, e o ator Matheus Sabbá. A direção e regência são de Marcelo de Jesus.

Os ingressos para as apresentações estão disponíveis na bilheteria do Teatro Amazonas e no site www.aloingressos.com.br, com valores que vão de R$ 5 a R$ 60.

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