
Alexsandro estava morando no edifício Turin, com alto padrão. Ele é condenado pela Justiça por duplo homicídio e DEHS investiga pelo menos mais 14 mortes onde ele teve participação. Foto: Divulgação PC-AM
Acostumado a pregar o terror e calar testemunhas com ameaças de morte e violência, o traficante e homicida Alexsandro Oliveira dos Santos, 32, o “Sandrinho”, foi preso por equipe da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), sob o comando do delegado titular Juan Valério, e apresentado nesta quinta-feira (8).
Segundo a polícia, “Sandrinho”, que foi detido em um condomínio de luxo em Manaus, é suspeito de pelo menos 14 homicídios, sendo ora autor, ora mandante ou autorizando execuções.
“Quando entrei na DEHS, durante os primeiros levantamentos, identificamos crimes com as mesmas características de execução cometidos na Vila da Prata e São Jorge, onde “Sandrinho” comandava o tráfico. Nossa maior dificuldade foi encontrar testemunhas e mais provas para embasar o pedido de prisão. Após seis meses de intenso trabalho, tivemos sucesso”, explicou Juan Valério.
Traficante temido
Para o delegado, a dificuldade maior era o temor que o traficante espalhava na região, junto com os soldados do tráfico. “Mas conseguimos o mandado de prisão para ele, com elementos suficientes para o pedido, e também para o principal pistoleiro dele e seu braço direito, o Alexandre Alves da Silva”.
Entre os crimes de maior destaque onde “Sandrinho” teve autoria estão as execuções dos traficantes Roger, que foi abordado ao sair de uma igreja (veja o vídeo abaixo) e de Glauciney Oliveira do Carmo, o “Glau”, em 2012, na época chefe do tráfico de drogas no São Jorge.
Após o assassinato, Alexsandro assumiu o comando na área. No dia que “Glau” foi morto, em 17 de julho, no estacionamento do Pronto Socorro 28 de Agosto, o grupo de “Sandrinho” também executou a acompanhante do traficante, Daiane Souza Pimentel, 19. O casal levou mais de 16 tiros.

Testemunhas
O delegado Juan Valério pede ajuda da população para que testemunhe e denuncie outros crimes relacionados a “Sandrinho”, que está preso. “Ele era muito temido, e havia uma lei do silêncio muito forte. Mas agora ele está preso e garantimos o sigilo das fontes”.
Alexsandro começou no mundo do crime na facção Família do Norte, num dos blocos, mas depois passou a traficar de forma independente, diretamente com contatos colombianos.
Ele estava morando no edifício Turin, na Ponta Negra, mas foi preso no Centro, durante campana montado. Ele será indiciado por homicídio, organização criminosa e tráfico de drogas. “A maioria das execuções realizadas tem ligação com o tráfico e como o próprio “Sandrinho” diz, quem “está nesta vida sabe o que pode acontecer”. Qualquer denúncia é sigilosa”.
Ameaças e execuções
“Ele costumava ameaçar familiares das vítimas após as execuções, e comandava o tráfico no São Jorge e Vila da Prata”, explicou o delegado Juan Valério, adiantando que ao prender “Sandrinho” foi evitada uma nova morte, que já estava em programação.
Duplo homicídio em 2012
Em 2012, Alexsandro foi preso com mais dois homens, todos armados com pistolas PT .40 e cerca de R$ 30 mil em espécie, após um tiroteio seguido de perseguição policial na rua Noel Nutels, Cidade Nova, zona Norte.
“Sandrinho” é acusado de ter executado o traficante Glauciney Oliveira do Carmo, o “Glau”, na época chefe do tráfico de drogas no São Jorge. Ele foi condenado por este crime.
Oito processos
Alexsandro responde a 8 processos em consulta ao site do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), sendo quatro por tráfico, um por roubo, um de porte ilegal de arma e dois referentes a condenação de 10 anos e 8 meses de prisão pelo duplo homicídio de “Glau” e Daiane.
Quando foi preso, “Sandrinho” disse ter executado Glauciney para vingar a morte de um irmão e de uma sobrinha de 6 meses de idade, que teriam sido assassinados pelo traficante.
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