20/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

O Brasil tem jeito

Publicado em 03 de janeiro, 2018

Sim, o Brasil tem jeito sim. Mas, longe, muito longe de querer fazer uso do tal “jeitinho brasileiro”, que tanto envergonha (quem tem vergonha, é claro) a imagem do país internacionalmente. Ainda no século passado, nosso “Águia de Haia” já cunhava: “De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto”. Até parece que Rui Barbosa construiu esse conceito sobre a política de hoje.

Em meio a tantas notícias dantescas, que beiram o cúmulo da insanidade e o escárnio humano, acompanhei a notícia dando conta que dois cariocas, um dia após o Natal, encontraram uma carteira cheia de dinheiro e devolveram ao dono, um turista argentino. Parecia até um presente de natal, dólares, euros, reais. Marcos e Marcelo Nascimento, dois moradores da favela da Rocinha, encontraram a carteira perdida no calçadão e se empenharam em encontrar o dono, embora dinheiro seja artigo de primeira necessidade na comunidade onde moram.

Quase R$ 10 mil não foram suficientes para que eles esquecessem a dignidade humana e só sossegaram quando percorreram os hotéis da orla e encontraram o dono. Além da alegria do dever cumprido, os dois receberam US$ 100 que vão usar para ajudar uma família cuja casa pegou fogo, na favela onde moram. Os dois puderam confirmar com uma frase o que falta nos poderes constituídos da nação, sem distinção: “Honestidade é obrigação”.

Pois é, honestidade é ingrediente sine qua non para qualquer tentativa de estancar essa sangria, esse estado tumoral que ataca a política brasileira. Lamentavelmente, ser honesto virou virtude escassa e, quando aparece logo ganha notoriedade, seja em qualquer âmbito. Nas semifinais do Campeonato Paulista desse ano, durante o jogo Corinthians e São Paulo, o zagueiro paulista Rodrigo Caio assumiu ter pisado na mão do goleiro Renan, inocentando o atacante Jô, do Corinthians, que havia levado cartão amarelo pela falta, na interpretação do árbitro. O cartão tiraria o atacante do próximo jogo, mas a honestidade do zagueiro fez com que o cartão fosse anulado. Pronto, a atitude do zagueiro foi assunto para a semana inteira, pois muitos acham que dentro de campo vale tudo, inclusive mentir e ser desonesto.

Tanto a honestidade, a honra, o respeito, a moral, os bons costumes, os valores humanos e éticos, a solidariedade, a educação cabem e devem estar sempre em todos os lugares. E devem fazer parte do dia-a-dia de qualquer trabalhador, seja deputado, senador, presidente, vereador, delegado, professor, taxista, feirante e/ou faxineiro, como aquele que encontrou uma pasta contendo US$ 10 mil, num banheiro do aeroporto de Brasília. Mesmo ganhando Salário Mínimo, não hesitou e usou o sistema de som para encontrar e devolver ao dono do dinheiro, um turista suíço. O poeta espanhol Miguel Cervantes pregava que “a honestidade é a melhor política”.

 

*Auditor fiscal e professor

 

 

Tags: ,

Veja mais notícias em Colunas
Autor
Augusto Bernardo Cecílio

* Auditor fiscal da Sefaz, coordena o Programa de Educação Fiscal no Amazonas.

RELACIONADAS

Portal do Marcos Santos
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.