
Delegado que matou advogado, Augusto Sotero, está preso e perdeu o cargo de plantonista

Ato tem um erro: exoneração retroativa a 6 de outubro 2016. “Certamente será refeito”, disse o governador em exercício. A data correta é 6/10/2017, que deverá sair no ato refeito e republicado
Delegado que matou advogado, Gustavo de Castro Sotero, não é mais titular de delegacia. Ele foi exonerado do cargo AD-2 pelo governador em exercício e secretário de Segurança, Bosco Saraiva. Ele matou o advogado Wilson Justo Filho e feriu outras três pessoas. Sotero era plantonista do 1º Departamento Integrado de Polícia (DIP), na rua Duque de Caxias. O ato é datado de ontem (28/11) e foi publicado na edição desta quarta-feira do Diário Oficial do Estado.
O decreto que exonera o delegado faz referência ao Processo nº 1565.0000438.2017. O policial civil encontra-se preso, preventivamente, na Delegacia Geral. O salário dos AD-2 é de R$ 4.209,79, que se somam ao provento de delegado. “Em prisão preventiva, ele não tem como cumprir as funções de plantonista”, justificou Bosco Saraiva.
A assessoria da Secretaria de Segurança Pública (SSP) não soube dizer as decorrências da exoneração. O Departamento de Pessoal da Polícia Civil estava fechado quando o Portal do Marcos Santos buscou a informação.
Gustavo Sotero, 41, está “acautelado”, após ter a prisão em flagrante convertida em preventiva na audiência de custódia. O processo está na 1ª Vara do Tribunal do Júri, com a juíza Mirza Telma de Oliveira Cunha. Ela solicitou informações da Secretaria de Estado da Administração Penitenciária (SEAP) sobre cela em presídio comum. A SEAP informou que “não existe unidade prisional que possua dependência segura e isolada dos demais presos para a custódia de um policial”. Ainda mais “sendo ele da ativa e ocupando o cargo de delegado”.
No ofício, o secretário da Seap, coronel Cleitman Coelho, informa que o sistema não se encontra “totalmente estabilizado”. Afirma que isso é de conhecimento do Poder Judiciário, do Ministério Público e do sistema de Segurança Pública do Estado. Em eventual crise do sistema, “certamente o policial Gustavo Sotero” será um dos “principais alvos”. Ele cita as “facções criminosas” como risco para o delegado, “caso esteja custodiado em estabelecimento prisional comum”.
A Corregedoria-Geral do Sistema de Segurança Pública instaurou um Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD) para apuar a conduta de Sotero. O PAD trata de casos mais graves, que envolvem servidores dos órgãos de segurança pública.
O procedimento pode levar 90 dias e ser prorrogado, em razão de diligências. O delegado pode ser demitido da corporação, se a conclusão lhe for desfavorável. Diante do PAD, a corregedoria determinou o afastamento do policial e a retirada do porte de arma, no último domingo.
A investigação está sendo conduzida pela Unidade de Apuração de Ilícitos Penais (UAIP), que apura crimes envolvendo policiais.
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