
Delegado Juan Valério mandou recado para os que chamou de “vagabundos”, que onde estiverem serão presos e levados à Justiça. Forças de segurnaça agradeceram apoio da população ao fornecer informações precisas para prisão de envolvidos no crime do cabeleireiro João Felipe
As investigações em torno da execução do maquiador e cabeleireiro João Felipe de Oliveira Martins, 22, tiveram, além do apoio das forças de segurança pública envolvidas em diligências e em serviços de inteligência, da Polícia Civil, Polícia Militar e Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM), uma fonte especial: a parceria da população.
Informações compartilhadas e denúncias, mesmo que anônimas, de populares, foram consideradas precisas e fundamentais para ajudar na captura de dois envolvidos no crime, Diego Sabino de Araújo, 27, conhecido como “Diego Olhão” ou “Coqueirinho”, e Gessica Alves Alho, 24.
E o delegado titular da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), Juan Valério, mandou um recado bem claro para criminosos do tipo: “Para todos esses arrombados, esses vagabundos mesmo, aqui no Estado do Amazonas tem polícia. E a polícia e a população são unidas. Vamos procurá-los e prendê-los, do buraco onde estiverem escondidos, e encaminhá-los à Justiça. É um absurdo e uma covardia o que aconteceu”, falou o titular da DEHS, se referindo a morte do maquiador, executado com quatro tiros à queima-roupa dentro do salão de beleza Sempre Bella.
“Queremos agradecer o apoio da população que forneceu informações precisas da localização de Géssica e Diego, cujas fotos foram divulgadas pela imprensa em coletivas, e ao trabalho das forças de segurança. Nossa preocupação foi pegar Diego também pela audácia na forma como cometeu o assassinato e pela motivação”, falou o delegado geral adjunto da Polícia Civil, Ivo Martins.
Durante a abordagem para a prisão de “Diego Olhão”, o titular da Delegacia Especializada em Capturas e Polinter (DECP), Bruno Fraga, contou que o infrator teve a petulância de transitar fingindo se integrar à comunidade onde foi preso, mas quando percebeu que tinha sido identificado, passou a ameaçar os moradores.
Imediatamente após a divulgação das fotos, populares chegaram até a delegacia do Careiro da Várzea informando sobre o endereço do infrator, na comunidade que fica distante duas horas do centro do Município, segundo contou o delegado titular da 35ª Delegacia Interativa de Polícia (DIP), David Jordão. “Montamos uma operação usando uma lancha descaracterizada, e atracamos bem próximo à margem do rio para fazer a abordagem ao local onde estava ‘Diego Olhão’, garantindo ainda a segurança dos moradores da comunidade”.
Para o delegado David Jordão não funciona mais a velha história de cometer um crime e se esconder no interior: “Qualquer pessoa que tente fugir ou se esconder em áreas remotas, será denunciada pela comunidade porque ela confia no trabalho da segurança pública do Estado do Amazonas”.
Antes de ser preso, “Diego Olhão” ainda tentou fugir, apesar de estar cercado e com homens na mata, usando uma criança de colo de uma residência vizinha. A polícia conseguiu prender o pistoleiro sem que o pequeno saísse ferido ou machucado. Ainda faltam ser identificadas outras pessoas que atuaram no crime prestando apoio logístico na fuga do executor e as investigações continuam, segundo Juan Valério.
Mauazinho
Em depoimento na DEHS, o homicida preso alegou que os irmãos executados, o maquiador João Felipe e Cristina Martins da Silva (morta em 2011), seriam usuários e teriam envolvimento com tráfico de drogas no Mauazinho, na época em que moravam no bairro.
“Sabemos que o João Felipe mudava de casa com certa frequência, talvez por questões de segurança. Fica fácil para o Diego acusar os irmãos, que estão mortos e não podem se defender, mas a motivação continuamos a investigar e ouvir o mandante”. No sistema não há passagem das vítimas por tráfico de drogas.
O delegado Juan Valério disse que não tem como afirmar se a morte de João Felipe teria ligação com o assassinato da sua irmã, em 2011, uma vez que o processo corre em segredo de Justiça. O mandante dos dois crimes é o mesmo: o presidiário José Mateus da Costa Vieira, 28, o “Sapo”, um dos líderes do tráfico de drogas do Mauazinho e com ligações junto a facção criminosa Família do Norte (FDN).
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